DÍZIMO

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Amigos e Irmãos em Yaohúshua, quero falar-vos do desequilíbrio de um equilíbrio: em Ciência política como na Teologia existem os famosos "Três"; naquela, os da direita, os da esquerda e os do centro; nesta, as linhas de pensamento contemporânea,  moderada, e conservadora. Aqueles que defendem a Linha de Pensamento Conservadora (os formalistas),  afirmam que o dízimo foi coisa do passado, coisa da Lei. Os que defendem a Linha de Pensamento Contemporânea (os liberais),  fugindo dos princípios básicos fundamentalistas da hermenêutica bíblica, afirmam ser o dízimo o requisito da Lei para manter minimamente o sustento Sacerdotal. Eles afirmam: “não estamos debaixo da Lei e sim da Graça, debaixo da medida bem sacudida e bem recalcada.“ O dízimo para eles é figurativo na quantia e na virtude: o dízimo pode ser dez, vinte ou cinquenta por cento da receita, do tempo ou dos talentos individuais, dependendo sempre quem seja o recipiente!  Entretanto, os que aceitam a Linha de Pensamento Moderada (os fundamentalistas), entendem que a virtude do dízimo está na fidelidade da sua contribuição e do seu valor biblicamente estipulado. E sabem eles, que, sendo os crentes obedientes à Palavra, Deus os fará prosperar materialmente e espiritualmente. E desta prosperidade, ele dará livremente os dízimos sagrados e contribuirá com as ofertas alçadas para o engrandecimento do Reino de Deus e a propagação do Evangelho.
 

  A Linha de Pensamento Conservadora: temerosos [prudência cristã calvinista ou arminiana mais a cúria católica ou ortodoxa] de ensinarem e praticarem Malaquias 3:10 — “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa…; alegam que este ensino foi restrito à época vetero-testamentária.

 A Linha de Pensamento Contemporânea: depois da década de sessenta, os anos das grandes mudanças de costumes e doutrinas da igreja ocidental, tenho contemplado muita Teologia boa na linha de pensamento contemporâneo mas também Teólogos a contemporizar e a ceder a horrores: à manipulação dos fiéis quanto à contribuição para a obra do S-r. Uns assolapam os crentes com intimidações tais que os deixam apavorados, pensando que já estão condenados por pecados imperdoáveis; outros, com chicotes e anestésicos prometem aos leigos cura interior, uma melhor família, carro e casa nova, retorno dobrado do investimento. Nesta guerra atroz e apelação insane por parte dos exploradores de recursos financeiros das igrejas, muitos têm perdido fundos da bolsa de valores, casas, jóias e amigos — tudo em nome de Deus, e escudados no Dízimo Sagrado! Entretanto, outros vão mais a fundo do abismo, e, à guisa de uma nova revelação, trazem doutrinas infernais afim de amedrontarem os crentes, colocando-os em verdadeiras camisas de força:

A maldição hereditária: os pregadores da Confissão Positiva afirmam que um indivíduo que tenha problemas com adultério, álcool, pornografia, câncer ou crise financeira, os têm porque ele herdou de algum antepassado que teve problemas nestas áreas, ou pela negligência da devolução do dízimo! Sendo assim, o antepassado passou aquela maldição, como que por genes espirituais para seus descendentes. Por isso, continuam eles, o descendente deve pedir ajuda ao Espírito Santo para lhe revelar em quem a maldição teve início, afim de pedir perdão pelo antepassado, voltar a depositar o dízimo no tesouro da igreja ou nas mãos de um ministério, e ter a maldição quebrada.

 O texto bíblico mais utilizado pelos propagadores liberais desta doutrina é o de Êxodo 20:4-6; Ml 3:10 e Joel 2:25-26, onde Moshé (Moisés) escreveu sobre o mandamento que condena a prática da idolatria; Malaquias admoestou ao povo para não serem negligentes quanto ao dízimo;  e, Ioêl (Joel) trouxe uma mensagem orientada ao arrependimento. É bom notar, que os textos em epígrafe falam claramente de idolatria e não de adultério, cancro/câncer ou de qualquer outra enfermidade em forma explícita; de fechamento das janelas dos céus, em represália à negação do dízimo por parte do povo de Deus, não de espíritos imundos invadindo a sua terra; de libertação de praga de gafanhotos sobre as suas plantações e não do assédio de legiões de demónios para destruir as propriedades, saúde ou a vida espiritual do povo de Deus! Tão pouco oferece qualquer base explicíta para a doutrina de transmissão hereditária de maldições. Entretanto, e por outro lado, sabemos, pela lei da semeadura estabelecida pelo Eterno (Ex 20:5; Gl 6:7), que, sempre quando desobedecemos à sua Palavra, somos objectos do efeito desse pecado; mas quando nos arrependemos, somos agraciadamente livres de qualquer maldição! Estas verdades já foram preconizadas pelos profetas no Antigo Testamento/Antigo Encontro (Tanack), quando afirmaram: "Os Pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram… nunca mais direis este provérbio… Eis que todas as almas são minhas… a alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18:2-4); "De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a D’us" (Rm 14.12). Novamente, aqui, a lei da recíproca é verdadeira: Hizquiáhu (Ezequias) foi um homem temente a D-s, e o seu filho Menashé (Manassés), um pueril idólatra; Ahas (Acaz) foi um abominável Rei, mas isso não fez de Hizquiáhu (Ezequias), o seu filho, um idólatra ou pecador abominável, mas um Crente temente a D-s!

O profeta Ioêl (Joel) em evidência: o texto de Joel 1:4 — “O que ficou da lagarta, o comeu o gafanhoto, e o que ficou do gafanhoto o comeu a locusta, e o que ficou da locusta o comeu o pulgão” — é o preferido para a nova doutrina dos Teólogos que acreditam que D-s lhes deu uma nova revelação, uma nova unção e uma nova visão; e amedrontam os Crentes leigos arminianos, afirmando que os gafanhotos referidos na mensagem profética de Joel são exércitos de demónios ferozes, anjos caídos que estão ao derredor dos que não dizimam para destruírem a sua paz, a sua família e os seus bens, e que o único poder capaz para repreender estas hostes, chama-se o dízimo!

Outra interpretação numa perspectiva de desconstrucionismo: os três únicos capítulos do livro de Ioêl (Joel) estabelecem um resumo do passado, presente e futuro de Israel: um passado de fracassos, um presente de dores e um futuro de vitórias. Nesse passado de fracasso, D-s instigou ao povo com várias pragas  a fim de se arrependerem da sua nefasta ingratidão — tinham templo novo, cidade reconstruída, terra frutífera, novo horizonte na preparação do advento do Messias — mas o povo sentou-se a comer, a beber e a folgar. Uma das maldições seria que as suas plantações seriam destruídas por uma praga de gafanhotos afim de que se acabasse o vinho das suas festas; a comida das suas glutonarias e a paz para os dias de profundo sono e preguiça nacional! O terrível instrumento de punição seria o gafanhoto, segundo havia profetizado Mosheh (Moisés) (Dt 28:38,39)  — um insecto provido de aparelho bucal mastigador, asas dobradas longitudinalmente e pernas posteriores mais desenvolvidas, adaptadas para seu tradicional salto — em seus quatro estágios de vida: lagarta, pulgão, locusta e gafanhoto:

 

     Lagartapalmerwormgazan, é o primeiro estágio do gafanhoto em si, recém saído do ovo, no seu perfil embrionário, o qual, pelo processo acidulante suga as proteínas das folhas das plantações, deixando-as enodoadas e ressequidas.

    Pulgãocaterpillarhasic, é o segundo estágio desse bonito, mas perigoso herbívoro, que mudando sua casca começa lentamente comer as primeiras polpas das folhas das plantações.

    Locustacankerwormyelek, é o terceiro estágio da metamorfose do gafanhoto, no qual suas pernas e pequenas asas já aparecem e, pulando de folha em folha, já pode fazer um grande estrago, comendo as folhas de cada planta, deixando apenas isenta seus tentáculos.

     Gafanhoto locust arbeh, é o quarto, último e perigoso estágio do que nós conhecemos como gafanhoto, tendo já uma pele nova, as pernas firmes e asas desenvolvidas. E, em exército, eles pulam e voam em alta velocidade, e sua capacidade devoradora das folhas, flores  e tentáculos é de incomensurável poder.

 A Linha de Pensamento Moderada: presencia-se os humildes trabalhadores e as pobres viúvas trazerem os seus dízimos aos cultos de Santa Ceia; vê-se os Pastores das pequenas Igrejas do interior dizimarem fielmente daquilo que amoravelmente lhe ofereceram; observa-se que os irmãos ricos, não tendo como contabilizar os seus lucros mensais, lançarem mãos da sua renda anual, dividir por dozes, e entregarem o dízimo no culto mensal de doutrina de sua igreja local. Sem murmuração ou questionamento, todos felizes por obedecerem à Palavra de D-s. Os crentes tidos como moderados aceitam que a virtude do dízimo está explicitamente na fidelidade da sua contribuição e do seu valor biblicamente estipulado. Sabem eles, que, sendo obedientes às Escrituras, Deus os fará prosperar materialmente e espiritualmente. Desta prosperidade, ele dará  livremente os dízimos (Lv 27:30-32; Dt 14:23; Ml 3:10; 2 Cr 31:6; Mt 23:23 e Hb 7:9) e as ofertas (2 Co 16:2) para o engrandecimento do Reino de D-s aqui na terra.

Neste presente Século de desenvolvimento, entretanto, os crentes entregam dez por cento da sua renda bruta (deduzidos dela apenas o seguro social e outros deveres: dez por cento da renda bruta, após descontados os impostos de seguros sociais, subsídio de alimentação, o valor entregue aos pais ou a outro familiar ou amigo/instituição [se for caridade sincera e não hipócrita: mentir ao ‘Rukha-Yaohu, Espírito Santo]), as suas ofertas alçadas, os quais são utilizados no sustento pastoral, na compra de edifícios, na manutenção das instalações, no envio de missionários e no apoio de programas de ensino acadêmico e congregacional, evangelístico e assistência social. No tempo presente os crentes sentem-se na obrigação de obedecerem à Palavra de D-s. Portanto, o primeiro princípio que leva os crentes a dizimarem é o da obediência às Escrituras Sagradas, uma vez que ela é norma de conduta e fé de todos cristãos; o segundo, é o do reconhecimento, em saber que somente D-s, e unicamente ele, é responsável pelo sol e a chuva, pela água e a terra, pelo crescimento e frutificação de todos os pomares do mundo; e o terceiro, é o do agradecimento, em saber que não merecíamos nada, e ele nos deu tudo! Não dizimamos para sermos abençoados, o fazemos porque já o somos; não dizimamos para fazermos pseudos negociatas com Deus, porque ele é santo e seu povo também o é; não dizimamos temendo que nenhuma legião de demónios venha nos atacar, porque delas D-s dará ordem aos seus anjos para nos proteger!

Os gafanhotos do texto de Jl 1:4 e Dt 28:38 não são quatro tipos diferentes, e sim, quatro fases distintas de metamorfose do inseto ortópteros.

As quatro fases dos gafanhotos do texto do profeta Joel  não se referem a demónios, nem na interpretação literal ou simbólica fundamentalista ou moderada das Escrituras. Destarte, em lugar nenhum da B’rit Hadashah [NT/NE] há evidências claras [somente implícitas e nunca para os predestinados/eleitos] de que os gafanhotos sejam demónios incorporados, ou que estes tenham domínio sobre o povo de Deus, quando ela mesma afirma que "o pecado não terá domínio sobre vós" ; que "as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em D’us, para destruição das fortalezas" ; "porque maior é o que está em vós do que aquele que está no mundo" ; e, finalmente, ela nos exorta que devemos nos submeter a D-s, resistir ao Diabo, “e ele fugirá de vós” (Rm 6:14; 2 Co 10:4; 1 Jo 4:4; Tg 4:7). Entretanto, quando D-s quer privar o Crente de qualquer bênção, ele ordena ao céu para que retenha a chuva; ordena às árvores que não produzam; a Faraó que endureça o coração; aos gafanhotos que comam os frutos das plantações; e que o pneu do carro do Irmão negligente no dízimo, baixe em plena estrada alfaltada. Porque todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a D-s (Rm 8:30)!

Não existem bases bíblicas nem históricas para a alocação de certas hierarquias angelicais da maldade aos governos, às regiões geográficas ou a agrupamentos demográficos. Certo é, que o gerenciamento dos anjos caídos é responsabilidade de Satanás, que o seu Reino está prestes a se dividir e ruir, que todos serão julgados por YAOHÚSHUA e a Igreja glorificada, e que por fim, serão RENOVADOS A PARTIR DE UMA NOVA HOMBRIDADE [Jürgen Moltmann: http://www.scribd.com/doc/6482501/A-ASSINATURA-DE-JESUS-Brennan-Manning]. Nada mais nada menos interessa aos cristãos — “As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus; porém as reveladas  são para nós…” (Dt 29:29)! Não existe qualquer inferência bíblica que designe a classificação angelical de Efésios 6:12 — “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” — como sendo responsável por determinadas escalas de maldições, como se Deus tivesse uma subordinação administrativa à estes espíritos imundos! É bom sempre lembrar que onde está o cadáver ai está as aves rasteiras! Deus abre portas, Deus fecha portas. Ele é soberano! Chegou o tempo de cuidarmos com a proliferação irresponsável das chamadas nova unção, nova revelação e nova visão. Existe apenas uma unção, a do Espírito (1 Jo 2:27); uma revelação, a de Deus ( 1 Co 2:10); uma visão dos campos brancos, a de Cristo (Jo 4:35)! E elas são tão antigas quanto a eternidade (Hb 1:14; Sl 119:89)!

Todos os crentes que interpretam o dízimo para os dias hodiernos, são estimulados a entregarem os seus dízimos (dez por cento da renda bruta, após descontados os impostos de seguros sociais, subsídio de alimentação, o valor entregue aos pais ou a outro familiar ou amigo/ou instituição ONG ou governamental [caridade realmente sincera]), seja ele baptizado ou não, membro aderente ou efectivo daquela Igreja — “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa…” (Ml 3:10). Os Pastores de tempo integral ou não, são compelidos a pagarem o dízimo, o que as Escrituras se referem como dízimo do dízimo — “Quando receberes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado em vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao S-r; os dízimos dos dízimos (Nm 18:26; Ne 10:37).

Os que defendem a Linha de Pensamento Conservadora (os formalistas históricos) argumentam:  DÍZIMO É UMA OBRIGAÇÃO DO CRISTÃO?

Será que o dízimo é neotestamentário? O dízimo obrigatório condiz com os cristãos que estão hoje na GRAÇA de Deus, livres do jugo da Lei?

A resposta inicial é a seguinte: Nenhum texto do Novo Testamento contém algum mandamento que nos ordena a pagar dízimos nas igrejas. As falsas interpretações de textos destinados aos que viviam ou vivem sob a Lei é altamente interessante para aqueles que têm interesse nos dízimos: os líderes eclesiásticos que enfatizam este aspecto para enriquecerem às custas desta falsa doutrina.

Temos que nos conscientizar que estamos vivendo hoje debaixo da Graça. Aqueles que intimidam os crentes para darem o dizimo obrigatório usam a sobejo Malaquias 3:8-11: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança. Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos".

Este texto é terrível. Mete medo realmente. Chama os não dizimistas de ladrões, promete maldições, fala do devorador e manda o povo fazer prova de Deus. Esta linguagem é flagrantemente do Velho Testamento e da Lei. É a mesma linguagem do apedrejamento dos adúlteros e dos rebeldes.

No Novo Testamento a linguagem muda completamente e os adúlteros e rebeldes arrependidos em lugar de serem apedrejados são perdoados e passam a viver em novidade de vida.

Os que utilizam o argumento do dízimo obrigatório de Malaquias 3 parece que jamais leram o Novo Testamento que nos mostra claramente que o devorador foi vencido em nossa vida, independente de dízimos. Veja o que nos mostra o Novo Testamento:

1) Já estamos abençoados – Efésios 1:3 – "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo".

2) O devorador já foi derrotado – Hebreus 2:14 – "Portanto, visto como os filhos são participantes comuns de carne e sangue, também ele semelhantemente participou das mesmas coisas, para que pela morte derrotasse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo".

3) O devorador (o maligno) não pode nos tocar, em nosso bens, nem em nossa casa – Isto é doutrina falsa neopentecostal. Os pentecostais verdadeiros não ensinam esta doutrina. Vemos a evidência desta verdade em I João 5:18: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca".

4) Já não há condenação – Romanos 8:1 – "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus".

5) Já não há acusação – Romanos 8:33 – "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus"?

6) Já não há mais maldição – Gálatas 3:13 – "Cristo nos resgatou da maldição da Lei".

7) Já não há mais dívida – Colossenses 2:14 – "…e havendo riscado o escrito de dívida".

8) Já não há juízo – João 5:24 – "Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entra em juízo".

9) Já não há sacrifício, porque o verdadeiro sacrifício já foi realizado – Hebreus 10:14 – "Porque com um único sacrifício nos aperfeiçoou para sempre".

10) Temos um fiador para com qualquer dívida ainda existente – Hebreus 7:22 – "De tanto melhor pacto Jesus foi feito fiador".

11) Temos um mediador – Hebreus 9:15 – "E por isso é mediador de um novo pacto".

12) E se qualquer dúvida ainda existir, temos um advogado – I João 2:1 – "Temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo".

13) Não precisamos mais fazer prova de Deus – I Coríntios 10:9 – E não ponhamos o Senhor à prova como alguns deles o fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes.

Um dos textos mais usados pelos interessados em dízimos é Mateus 23:23: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas".

Ao utilizarem este texto os cultores dos dízimos estão colocando em pé de igualdade os eleitos de Deus, nascidos de novo, lavados e remidos pelo sangue de Cristo, com os escribas e fariseus hipócritas! Não é uma aberração?

Quando Jesus disse que eles deveriam fazer estas coisas, estava simplesmente enfatizando o seguinte: vocês, escribas e fariseus hipócritas, que vos gloriais na Lei, cumpram a Lei de vocês, mas não se esqueçam que para Deus o mais importante não é isto, mas é a justiça, a misericórdia e a fé.

Este texto de modo algum pressupõe que os crentes tem que cumprir os mesmos ditames da Lei que os escribas e fariseus ainda estavam cumprindo e ainda cumprem até os dias de hoje. Outro texto muito usado é Hebreus 7:1-8 – "Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão separou o dízimo de tudo (sendo primeiramente, por interpretação do seu nome, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote para sempre. Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os melhores despojos. E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que estes também tenham saído dos lombos de Abraão; mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou ao que tinha as promessas. Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior. E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, os recebe aquele de quem se testifica que vive".

Este texto mostra claramente que Abraão, antes da Lei deu dízimos para Jesus. O argumento é que nós, sendo filhos de Abraão, que é o pai da fé e que deu dízimos antes da Lei ser instituída, também devemos dar dízimos a Jesus, como Abraão o fez.

Abraão também teve mais de uma mulher ao mesmo tempo e mentiu. O cristão jamais pensaria em fazer tais coisas. Naquele tempo os dízimos eram dados pela população aos soberanos. Ele deu dízimos mostrando sua condição de vassalo diante do Soberano Supremo.

Se o dízimo fosse uma instituição cristã, haveria referências a ele em todo o Novo Testamento.

Mas, como é a verdadeira maneira de um cristão contribuir?

Antes de qualquer coisa, segundo o que o Novo Testamento classifica como a verdadeira religião, eis o principal destino das contribuições de um cristão: Tiago 1:27 – "A religião pura e imaculada diante de nosso Deus e Pai é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção do mundo".

Depois, ajudando não a Presidentes de Igrejas para as suas viagens nacionais e internacionais e as suas hospedagens luxuosas, mas ajudando aqueles que vivem ensinando a Palavra, conforme I Timóteo 5:17: "Os anciãos que governam bem sejam tidos por dignos de duplicada honra (ou remuneração), especialmente os que labutam na pregação e no ensino" e Gálatas 6:6: "E o que está sendo instruído na palavra, faça participante em todas as boas coisas aquele que o instrui". Outra tradução diz: "reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui".

Resumindo, quais as principais finalidades das contribuições dos cristãos? Ajudar aos órfãos e viúvas e aos que ensinam a Bíblia com propriedade.

Como foi que o apóstolo Paulo mandou contribuir: "Ora, quanto à coleta para os santos fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galiléia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder (não 10%), conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não façam coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que por carta aprovardes para levar a vossa dádiva a Jerusalém". – I Coríntios 16:1-3.

Veja que não ficaria na igreja local para pagamento de algum Chefe, mas seria para os Cristãos necessitados. O problema hoje é que se necessita de muito dinheiro para fazer templos luxuosos, o que não é bíblico.

"Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia levantar uma oferta fraternal para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém. Isto pois lhes pareceu bem, como devedores que são para com eles. Porque, se os gentios foram participantes das bênçãos espirituais dos judeus, devem também servir a estes com as materiais". – Romanos 15:26,27.

Mostrarei, a seguir, vários textos que falam sobre a verdadeira índole de um Diácono ou de um Presbítero, ou Bispo (Pastor) do Novo Testamento/Encontro.

I Timóteo 6:10,11:"Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão".

I Timóteo 3: 8: "Da mesma forma os diáconos sejam sérios, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância".

Tito 1:7-11: "Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, temperante; retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão, aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância".

Veja que os principais insubordinados que viviam a ensinar coisas erradas por torpe ganância (ou para ganhar dinheiro), era os da circuncisão, ou seja os judeus que tinham se "convertido", mas ainda estavam com toda aquela idéia de dízimo para os levitas.

Sejamos muito claros. Vou escrever com letras bem grandes para que você entenda que não somos judaizantes: NÃO EXISTEM LEVITAS NO NOVO TESTAMENTO! Esta dispensação já passou. Estamos na Graça.

Veja o que diz Hebreus 13:5: "Seja a vossa vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes; porque ele mesmo disse: Não te deixarei, nem te desampararei".

Veja o que diz I Pedro 5:1-3: "Aos anciãos (ou presbíteros, ou pastores), pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho".

Quando um Pastor Presidente de uma grande Igreja viaja para a Europa e Israel, com o pretexto de visitar os lugares onde YAOHÚSHUA (Jesus) pregou, junto com 18 pessoas da sua família, com tudo pago com dízimos e ofertas de viúvas e lavadeiras, além, é claro, dos dízimos dos magnatas da sua Igreja que gostam de contribuir para serem vistos, iguais aqueles fariseus que Jesus mostrou no templo, por acaso ele não está enquadrado no que diz Isaías 10:2: "para privarem da justiça os necessitados, e arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos"! e no que diz Mateus 32:14: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas orações; por isso recebereis maior condenação".

Quer ver um texto em que os dízimos são mais castigos do que bênçãos? Leia I Samuel 8:11-17: "E disse: Este será o modo de agir do rei que houver de reinar sobre vós: tomará os vossos filhos, e os porá sobre os seus carros, e para serem seus cavaleiros, e para correrem adiante dos seus carros; e os porá por chefes de mil e chefes de cinqüenta, para lavrarem os seus campos, fazerem as suas colheitas e fabricarem as suas armas de guerra e os petrechos de seus carros. Tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará o melhor das vossas terras, das vossas vinhas e dos vossos olivais, e o dará aos seus servos. Tomará e dízimo das vossas sementes e das vossas vinhas, para dar aos seus oficiais e aos seus servos. Também os vossos servos e as vossas servas, e os vossos melhores mancebos, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho. Tomará o dízimo do vosso rebanho; e vós lhe servireis de escravos".

Assim agiam os reis daquele tempo e assim agem os dominadores dos rebanhos hoje.

Não escrevi tudo isto porque não gosto de contribuir, nem porque tenho algo contra algum guardião de templos. Escrevi, porque creio que é a verdade. Escrevi porque vejo muita distorção nos sistemas de contribuições que existem hoje. Escrevi porque vejo pessoas ganhando salário mínimo e dando 10% desse minguado salário porque estão "fazendo prova de Deus".

Não precisamos mais fazer prova de Deus. Ele já nos abençoou com toda sorte de bênçãos, já destruiu o devorador, já pagou nossa dívida, já nos libertou da opressão da Lei. Somos livres para contribuir com aquilo que o Senhor colocar em nossa coração e conforme a nossa prosperidade, principalmente para ajudar aos necessitados e para ajudar aqueles que vivem ensinando a Palavra, não para aqueles que vivem utilizando o dinheiro dos fiéis para seu luxo.

O dízimo só surgiu entre os cristãos no século VI d.C. No Ocidente, a partir da Idade Média, o direito eclesiástico ocupou-se fartamente dos dízimos, tema de vários concílios regionais ou ecuménicos da Igreja Católica Romana. Entre os Cristãos Ortodoxos, no entanto, a prática não prosperou.

Entre os Judeus, o costume de pagar dízimos manteve-se, apesar das invasões estrangeiras. Depois de esmagada a última revolta contra o domínio romano, a Palestina foi esvaziada da sua população e o judaísmo se espalhou pelo mundo. Posteriormente, o dízimo passou a ser cobrado em dinheiro e perdeu o caráter de contribuição decimal. Foi substituído por um conjunto de doações, em princípio voluntárias, com fins de culto, previdência social e beneficência.

Nos primórdios do cristianismo não havia dízimo, mas doações voluntárias com fins caritativos denominadas oblações. No século VI, com o desmoronamento do sistema de cobrança de impostos do Império Romano do Ocidente, a igreja católica transformou as oblações em dízimos. Eles, entretanto, passaram a ser utilizados também pelos senhores feudais e nobres, que atuavam muitas vezes como intermediários na cobrança.

A redução de arrecadação foi compensada pela Igreja Católica com os chamados direitos de pé-de-altar, taxas cobradas por baptismos, casamentos, serviços fúnebres e comunhão pascal. Tais práticas promoveram a secularização dos dízimos, que foram desviados da sua finalidade original. A Igreja concedeu a alguns Soberanos o direito de cobrança de parte dos dízimos, a partir do século XII. No século XVIII, com a revolução francesa, esse imposto foi progressivamente abolido.

Nos países europeus onde ocorrera a Reforma protestante, o dízimo continuou a ser cobrado pelas novas Igrejas oficiais. Em certos países, católicos ou protestantes, era cobrado também dos dissidentes. Com a abolição do dízimo na França e a partir daí, progressivamente, nos demais países europeus, o Estado achou outras formas de compensação às igrejas.

No Brasil colonial, os dízimos pertenciam à Ordem de Cristo, a quem a Santa Sé os concedera implicitamente, ao conferir-lhe jurisdição sobre as terras conquistadas e a conquistar nas regiões ultramarinas, de acordo com bulas papais do século XV. Inicialmente, o dinheiro arrecadado mal cobria os gastos do clero, mas, com o impulso do açúcar no século XVI, o dízimo tornou-se uma das maiores fontes de arrecadação da colónia. Também aqui o dízimo era secularizado e a coroa portuguesa repassava para a igreja apenas uma parte dos bens recolhidos. O dízimo eclesiástico não se confunde com a dízima, imposto civil também de um em dez, cobrado no Brasil imperial.

Os dízimos continuaram a ser cobrados durante o primeiro reinado, mas, no decorrer do século XIX, foram sendo progressivamente substituídos por impostos civis. Em 1890, com a separação da igreja e do estado, extinguiram-se em definitivo no Brasil. Os direitos de pé-de-altar permaneceram e as oblações tornaram-se generalizadas. Posteriormente, a Igreja Católica procurou substituir as coletas por doações mensais voluntárias, sem caráter decimal.

Entre os evangélicos, contudo, essa prática continua até os dias de hoje.

Sobre o Autor
Paulo de Aragão Lins é escritor, poeta, teólogo, phd em Filosofia, Psicanalista, Comendador e Erudito em Exposição Bíblica. Tem 67 anos e tem sido conferencista internacional em 30 países e em todos os estados brasileiros. Aceita convites para conferências em igrejas e entidades outras pelo E-Mail proflins@yahoo.com.br.

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About EL HINCHA Mag Cal Cauvin Calvinista Inclusivo

Protestante por consciência calvinista e zuingliana, um teísta remanescente (cristão integrado na Oholyáo de YÁOHU UL) antinominiano ecuménico e inclusivo (agostiniano, espiritualidade carmelita dos descalços, espiritualidade montfortina, espiritualidade dos presbiteranos liberais da PCUSA: http://www.pcusa.org/, cristianismo redivivo; atento às notícias da ciência hodierna, sempre numa perspectiva inclusiva de todos os Yaoshorulitas e demais seres relacionais) por a absoluta graça do Soberano YÁOHU UL da História e da legenda. Protestante reformado (Baptista particular), cheunguiano (Vincent Cheung, vide: http://robertovargas-make.blogspot.com/2010/08/da-interpretacao-de-textos.html), pós-milenista bíblico, preterista parcial, reconstrucionista(herancareformada.blogspot.com/ 2010/02/o-teonomismo-implicacoes-teologicas.html), teonomista (dominionista), pressuposicionalista, supralapsariano (http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/infra_supra_phil.htm), tudo em desenvolvimento; reformar sempre a reformar. Sempre a reformar.

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