A graça actual

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Assim como na ordem da natureza necessitamos do concurso de D-us, para passarmos da potência ao acto, assim na ordem sobrenatural não podemos por em acções as nossas faculdades sem o auxílio da graça actual.

A graça actual é um auxílio sobrenatural e transitório que Deus nos dá para nos iluminar a inteligência e fortalecer a vontade na produção dos actos sobrenaturais.

 
 

a)   Opera, pois, directamente sobre as nossas faculdades espirituais, a inteligência e a vontade, não já unicamente para elevar essas faculdades à ordem sobrenatural, senão para as pôr em movimento, e lhes fazer produzir actos sobrenaturais. Demos um exemplo: antes da justificação, ou infusão da graça actual ilumina-nos acerca da malícia e dos temerosos efeitos do pecado, para nos levar a detestá-lo. Depois da justificação, mostra-nos à luz da fé, a infinita beleza de Deus e a sua misericordiosa bondade, a fim de no-la fazer amar de todo coração.

b)    Mas, a par destas graças interiores, há outras que se chamam exteriores, e que, actuando directamente sobre os sentidos e faculdades sensitivas, atingem indirectamente as nossas faculdades espirituais, tanto mais que muitas vezes são acompanhadas de verdadeiros auxílios interiores. Assim, a leitura dos Livros Santos ou duma obra cristã, a assistência a um sermão, a audição dum trecho de música religiosa, uma conversa boa são graças exteriores; é certo que, por si mesmas, não fortificam a vontade; mas produzem em nós impressões favoráveis, que movem a inteligência e a vontade e as inclinam para o bem sobrenatural. E por outro lado Deus acrescenta-lhes muitas vezes moções interiores, que, iluminando a inteligência e fortificando a vontade, nos ajudarão poderosamente a nos convertermos ou tornarmos melhores. É o que podemos concluir daquela palavra do livro dos Actos dos Apóstolos, que nos mostra o Espírito Santo abrindo o coração duma mulher chamada Lídia, para que ela preste atenção à pregação de São Paulo. Enfim, Deus, que sabe que nós nos elevamos do sensível ao espiritual, adapta-se à nossa fraqueza, e serve-se das coisas visíveis, para nos levar à virtude.

A graça actual influi sobre nós, de modo juntamente moral e físico: moralmente pela persuasão e pelos atractivos, à maneira de mãe que, para ajudar o filho a andar, suavemente o chama e atrai, prometendo-lhe uma recompensa: fisicamente, acrescentando forças novas às nossas faculdades, demasiado fracas para operar por si mesmas; tal a mãe que toma o filho nos braços e o ajuda não somente com a voz, senão também com o gesto, a dar alguns passos para frente. Todas as Escolas admitem que a graça operante actua fisicamente, produzindo em nossa alma movimentos indeliberados; tratando-se, porém, da graça cooperante, há entre as diversas Escolas Tecnológicas certas divergências que na prática, afinal, pouca importância têm: como não queremos basear a nossa espiritualidade sobre questões controversas, não entraremos nessas discussões.

Sob outro aspecto, a graça previne o nosso livre consentimento ou acompanha-o na realização do ato. Assim, por exemplo, vem-me o pensamento de fazer um acto de amor de Deus, sem que eu tenha feito coisa alguma para o suscitar: é uma graça preveniente, um bom pensamento de Deus me dá; se a recebo bem e me esforço por produzir esse ato de amor, faço-o com o auxílio da graça adjuvante ou concomitante – Análoga a esta distinção é a graça operante, pela qual Deus atua em nós sem nós, e a graça cooperante, pela qual Deus atua em nós e conosco, com a nossa livre cooperação.

 

 
 
 
 
 
 

 
 

 

(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística – Ed. Apostolado da Imprensa – 1961 – 6ª edição)
 

Duas considerações de importância nos fazem logo compreender, com quanta atenção devem os pastores explicar aos fiéis as verdades deste nono artigo.

A primeira é que, na opinião de Santo Agostinho, os profetas insistiam mais em falar da Igreja que de Cristo. Previam que muito maior podia ser o número de pessoas a errarem e a iludirem-se neste ponto, do que a respeito do mistério da Encarnação.

Realmente, à guisa do mono que se figura homem, não deixaria de haver ímpios com a pretensão de que somente eles é que são católicos, e a maldosa e soberba afirmação de só neles existe a Igreja Católica.
A segunda consideração é que facilmente escapa ao tremendo perigo de heresia quem assimila esta verdade, com plena convicção. Com efeito, a pessoa não se torna herege só por pecar contra a fé, mas antes por menosprezar a autoridade da Igreja, e defender obstinadamente suas ímpias afirmações.

Por conseguinte, não é possível que algum se contamine com a peste da heresia, enquanto aceita o que este artigo propõe a crer. Os pastores devem, pois, empenhar-se por que os fiéis conheçam este mistério, e possam assim preservar na verdade da fé, e defender-se contra as astúcias do inimigo.

Entre este artigo e o anterior existe uma correlação. Já foi demonstrado que o Espírito Santo é fonte e causa de toda a santidade. Agora, confessamos que do mesmo Espírito se deriva a Santidade de que a Igreja foi dotada.

É preciso pois dar a significação do termo "Igreja". Os latinos tomaram-na dos gregos. Depois da divulgação do Evangelho é que entrou o vocabulário religioso.

Igreja quer dizer "convocação". Mais tarde, porém os escritores pregavam o termo no sentido de e "assembléia" e "comício". Não se vem ao caso se o povo adorava o Deus verdadeiro, ou se abraçava uma falsa religião. Com referência ao povo de Éfeso, está escrito nos atos dos Apóstolos que, depois de apaziguar as turbas, os escribas lhes dissera: "Se tendes mais algum agravo, poderá isto ser resolvido em legítima assembléia do povo"(Atos 19,39). Chama, pois, de "assembléia legítima" ao povo de Éfeso, que se consagrava ao culto de Diana.

Dava-se, às vezes, o nome de assembléia, não só as nações que não conheciam a Deus, mas até aos ajuntamentos de homens maus e ímpios. "Detesto a assembléia dos maus, diz o profeta, e com ímpios não privareis" (Salm 25,5).

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica – 1962 – Ed. Vozes)

 1 – Quanto ao dia, sabemos que pertencem a Deus todos os momentos de nossa existência e convém que o gastemos ao seu serviço. Porém, a prece contínua, propriamente dita, não está ao alcance de todos. Por isso, a Igreja confiou a determinada classe de pessoas o desempenho desta missão importantíssima da prece pública. Daí, a recitação quotidiana do Ofício divino.

2 – Quanto à semana (do latim "septimana", "septem mane", sete manhãs), apresenta-se os tempos litúrgico como agrupamento de sete dias, alguns mais particularmente consagrados aos atos de culto. No Antigo Testamento, a lei de Moisés estabeleceu o Sábado para o repouso e celebração do culto. Recordava e honrava a obra da criação, para a qual Deus trabalhou seis dias, descansando no sétimo. Com o sábado, santificavam os judeus mais piedosos mais outros dois dias da semana: a Segunda-feira e a Quinta. A isto alude a palavra do fariseu: "jejuo duas vezes por semana" (Luc 8,12).

A religião cristã adotou, quase a risca, os usos dos judeus. O Domingo substituiu o sábado, em memória da Ressurreição de Nosso Senhor. Também ocuparam o lugar dos dois dias de penitência, segundas e quintas, outros dois: Quartas e Sextas, que recordariam, a traição de judas (quarta) e a Paixão e Morte de Cristo. O sábado veio a ser o prolongamento da sexta para o jejum e a abstinência. De modo que a semana litúrgica, logo nas origens, ficou constituída como segue: Domingos, dia de repouso e culto; quartas e sextas e sábados, dias de penitência. Dos primitivos costumes, a Igreja conservou a santificação do domingo, a abstinência da sexta, a penitência e o jejum das sextas e sábados da Quaresma, nas têmporas e vigílias de pentecostes, da Assunção, de Todos os Santos e do Natal.
 
3 – Do ano litúrgico é o centro completo das festas cristãs, que a Igreja anualmente. É o ano litúrgico que constitui o objeto de presente lição. O assunto que será abordado na próxima postagem.

 
Fonte: Doutrina Católica – Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários – Curso Superior – Terceira parte – Meios de Santificação – Liturgia – Livraria Francisco Alves – Editora Paulo de Azevedo Ltda – São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte – 1927
 

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Fernando Z. Bondini
CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO! Tradicionalista! Politicamente incorreto, Intolerante para com as Heresias e Falsas Doutrinas! Tornar-se católico, não significa que se deixe de pensar, mas que se aprende a pensar” G.K Chesterton "…A "ternura" do mundo do anti-Cristo consistirá em muito falar de amor para seduzir os tolos e aglutinar os perversos, e usar de extrema dureza para submeter os resistentes a seu poder publicitário e a seu planejamento ideológico. Um neototalitarismo exercendo-se difuso e implacável." (Hélio D. Romano) "Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram." Declaração de Dom Lefebvre(21/11/1974)

Ó mãe eu não te mereço, porém de ti necessito!

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Papa Benedictus XVI

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256º Sucessor da cátedra de Pedro em Roma: "Oremus pro Pontífice nostro. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beaátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus." 
 
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About EL HINCHA Mag Cal Cauvin Calvinista Inclusivo

Protestante por consciência calvinista e zuingliana, um teísta remanescente (cristão integrado na Oholyáo de YÁOHU UL) antinominiano ecuménico e inclusivo (agostiniano, espiritualidade carmelita dos descalços, espiritualidade montfortina, espiritualidade dos presbiteranos liberais da PCUSA: http://www.pcusa.org/, cristianismo redivivo; atento às notícias da ciência hodierna, sempre numa perspectiva inclusiva de todos os Yaoshorulitas e demais seres relacionais) por a absoluta graça do Soberano YÁOHU UL da História e da legenda. Protestante reformado (Baptista particular), cheunguiano (Vincent Cheung, vide: http://robertovargas-make.blogspot.com/2010/08/da-interpretacao-de-textos.html), pós-milenista bíblico, preterista parcial, reconstrucionista(herancareformada.blogspot.com/ 2010/02/o-teonomismo-implicacoes-teologicas.html), teonomista (dominionista), pressuposicionalista, supralapsariano (http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/infra_supra_phil.htm), tudo em desenvolvimento; reformar sempre a reformar. Sempre a reformar.

One response to “A graça actual

  1. LUÍS ⋅

    Assim como na ordem da natureza necessitamos do concurso de D-us, para passarmos da potência ao acto, assim na ordem sobrenatural não podemos por em acções nossas faculdades sem o auxílio da graça actual.A graça actual é um auxílio sobrenatural e transitório que Deus nos dá para nos iluminar a inteligência e fortalecer a vontade na produção dos actos sobrenaturais.a) Opera, pois, directamente sobre as nossas faculdades espirituais, a inteligência e a vontade, não já unicamente para elevar essas faculdades à ordem sobrenatural, senão para as pôr em movimento, e lhes fazer produzir actos sobrenaturais. Demos um exemplo: antes da justificação, ou infusão da graça actual ilumina-nos acerca da malícia e dos temerosos efeitos do pecado, para nos levar a detestá-lo. Depois da justificação, mostra-nos à luz da fé, a infinita beleza de Deus e a sua misericordiosa bondade, a fim de no-la fazer amar de todo coração.b) Mas, a par destas graças interiores, há outras que se chamam exteriores, e que, actuando directamente sobre os sentidos e faculdades sensitivas, atingem indirectamente as nossas faculdades espirituais, tanto mais que muitas vezes são acompanhadas de verdadeiros auxílios interiores. Assim, a leitura dos Livros Santos ou duma obra cristã, a assistência a um sermão, a audição dum trecho de música religiosa, uma conversa boa são graças exteriores; é certo que, por si mesmas, não fortificam a vontade; mas produzem em nós impressões favoráveis, que movem a inteligência e a vontade e as inclinam para o bem sobrenatural. E por outro lado Deus acrescenta-lhes muitas vezes moções interiores, que, iluminando a inteligência e fortificando a vontade, nos ajudarão poderosamente a nos convertermos ou tornarmos melhores. É o que podemos concluir daquela palavra do livro dos Actos dos Apóstolos, que nos mostra o Espírito Santo abrindo o coração duma mulher chamada Lídia, para que ela preste atenção à pregação de São Paulo. Enfim, Deus, que sabe que nós nos elevamos do sensível ao espiritual, adapta-se à nossa fraqueza, e serve-se das coisas visíveis, para nos levar à virtude.A graça atual influi sobre nós, de modo juntamente moral e físico: moralmente pela persuasão e pelos atractivos, à maneira de mãe que, para ajudar o filho a andar, suavemente o chama e atrai, prometendo-lhe uma recompensa: fisicamente, acrescentando forças novas às nossas faculdades, demasiado fracas para operar por si mesmas; tal a mãe que toma o filho nos braços e o ajuda não somente com a voz, senão também com o gesto, a dar alguns passos para frente. Todas as Escolas admitem que a graça operante actua fisicamente, produzindo em nossa alma movimentos indeliberados; tratando-se, porém, da graça cooperante, há entre as diversas Escolas Tecnológicas certas divergências que na prática, afinal, pouca importância têm: como não queremos basear a nossa espiritualidade sobre questões controversas, não entraremos nessas discussões.Sob outro aspecto, a graça previne o nosso livre consentimento ou acompanha-o na realização do ato. Assim, por exemplo, vem-me o pensamento de fazer um acto de amor de Deus, sem que eu tenha feito coisa alguma para o suscitar: é uma graça preveniente, um bom pensamento de Deus me dá; se a recebo bem e me esforço por produzir esse ato de amor, faço-o com o auxílio da graça adjuvante ou concomitante – Análoga a esta distinção é a graça operante, pela qual Deus atua em nós sem nós, e a graça cooperante, pela qual Deus atua em nós e conosco, com a nossa livre cooperação.(Fonte: Compêndio de Teologia Ascética e Mística – Ed. Apostolado da Imprensa – 1961 – 6ª edição)http://preciosodeposito.blogspot.com/2008/06/teologia-asctica-e-mstica-das-virtudes.html

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