DAMÁSIO: “O Signo, O Tempo E A Consciência”; MARIA, A MÃE DE YAOHÚSHUA ERA HERMAFRODITA, COMO O AFIRMAM ALGUNS MUÇULMANOS?

DAMÁSIO: “O Signo, O Tempo E A Consciência”; MARIA, A MÃE DE YAOHÚSHUA ERA HERMAFRODITA, COMO O AFIRMAM ALGUNS MUÇULMANOS?

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 What's that?Mark Sameth, formado pelo Hebrew Union College-Jewish Institute of Religion, Rabino duma Sinagoga Comunitária,  publicou um polémico artigo na revista Reform Judaism, na sua edição do primeiro quadrimestre de 2.009 AD. [Mark Sameth é o Rabi da Sinagoga Comunitária de Pleasantville, em Nova Iorque, EUA.] Sameth defende que o verdadeiro nome de Deus, tão buscado por gerações e gerações de judeus, é, na verdade, um nome andrógino, que mescla em equidade “todas as energias masculinas e femininas”. A tradução é de Moisés Sbardelotto (mosaico.blogs.ie) e corrigido e atualizado por MagCalCauvin, 

My Biodata

Protestante por consciência calvinista e zuingliana, um teísta remanescente (cristão integrado na Oholyáo de YÁOHU UL) antinominiano ecuménico e inclusivo (agostiniano, espiritualidade carmelita dos descalços, espiritualidade montfortina, espiritualidade dos presbiteranos liberais da PCUSA: http://www.pcusa.org/, atento às notícias da ciência hodierna, sempre numa perspectiva inclusiva de todos os Yaoshorulitas e demais seres relacionais) por a absoluta graça do Soberano YÁOHU UL da História e da legenda. Protestante reformado (Baptista particular), cheunguiano (Vincent Cheung, vide: http://robertovargas-make.blogspot.com/2010/08/da-interpretacao-de-textos.html), pós-milenista bíblico, preterista parcial, reconstrucionista(herancareformada.blogspot.com/
2010/02/o-teonomismo-implicacoes-teologicas.html), teonomista (dominionista), pressuposicionalista, supralapsariano (http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/infra_supra_phil.htm), tudo em desenvolvimento; reformar sempre a reformar. Sempre a reformar.

 (http://regeneracaomonergistica.blogspot.com/):                                          conviteavalsa: Links Recomendados                                                                hebreu.blogspot.com   SÍTIO/SITE “MUST”ADICIONAIL: Biblioteca on-line de ciências da comunicação: bocc.ubi.pt; bocc.ubi.pt/deleuze-damasio.pdf                                        Quando D-us começa a gerar o primeiro ser humano que viverá pelo ruach e mais tarde pelo sangue – Lilith –  diz: “Façamos a ‘Mulher’ à nossa imagem e semelhança”. O texto continua: “D-us criou a ‘Mulher’ à sua imagem; criou-a à imagem de D-us, criou a mulher e o homem” (Génesis 1, 26-27). O texto parece estar dizendo (e os rabinos do Talmud e do Midrash entendem desta forma) que Lilith foi criado por D-us como mulher e homem. Os rabinos falam abertamente disto, e até compuseram com esmero relatos especulativos sobre a separação desta criatura hermafrodita nas personagens homem e mulher que conhecemos como ADÃO (ADAM) e EVA (JAVÁ/KHAVYÁO). O que os rabinos não estavam dispostos a discutir abertamente era até onde esta criatura terrena foi criada “b’tzelem Elohim”, na imagem de género duplo de D-us. Mas se lermos o texto como um místico o leria, prestando uma atenção extremamente grande e assumindo que o texto bíblico mais esconde do que revela, podemos encontrar pistas que se referem à natureza andrógina de D-us. Consideremos, por exemplo, o que a santa Torá tem-nos a dizer:  –  [1] identifica Moisés como um pai que amamenta (Números 11, 12) [2] diz-nos que o Adão deu o nome de Eva à sua esposa “ki hu hay’tah eim”, “porque ele era a mãe de todos os seres vivos” (Génesis 3, 20) [3] narra que Abraão instruiu o seu servo para estar atento a uma mulher que irá dar água aos camelos porque “hu ha’ishah”, “ele será a mulher” para o meu filho (Génesis 24, 44)  [4] e a lista continua… Por que a Torá repetidamente confunde os géneros das seus personagens principais? A que a Torá está aludindo? Eu acredito que estes não são erros/enganos de escrita, mas a verdadeira chave para abrir um dos mistérios mais permanentes da Torá. Mas antes uma nota sobre as muitas ocorrências estranhas na Torá sobre os nomes. O nome do nosso patriarca Jacob é duas vezes modificado para Israel. Faraó não é um nome. E Moisés não é um nome. Moisés, em egípcio, significa “nascido de” – assim como no nome Tutmosis (nascido de Tut).   

 

  

Consideremos: se o nome do nosso grande líder Moisés não é realmente um nome, ele significa alguma outra coisa? De um modo interessante, se soletrarmos o nome Moisés em hebraico de trás para a frente, Moisés torna-se HaShem, que literalmente significa “O Nome”, uma das formas dos judeus se referirem a D-us.

Então, consideremos: se o nome de Moisés soletrado de trás para a frente torna-se HaShem, refletindo a natureza divina do ser humano, o nome de D-us, soletrado de trás para a frente, não deveria refletir, da mesma forma, algo essencial sobre o género humano? De fato, sim.

Observem o Yod-He-Vau-He [YHWH], o inefável Nome de D-us. Conhecido como o Tetragrammaton, permitiu-se que o Nome fosse usado nas saudações diárias pelo menos até o ano 586 a.C., quando o Primeiro Templo foi destruído (Mishnah Berakhot 9, 5). Neste tempo, a sua pronúncia era permitida apenas aos sacerdotes (Mishnah Sotah 7, 6), que o pronunciavam na sua benção pública ao povo. Depois da morte do Sumo Sacerdote Shimon HaTzaddik, por volta do ano 300 a.C., (Talmud Babilónico, Tractate Yoma 39b), o nome foi pronunciado apenas pelo Sumo Sacerdote no Santo dos Santos no Yom Kippur (Mishnah Sotah 7:6; Mishnah Tamid 7, 2). Os sábios passavam a pronúncia do Nome aos seus discípulos apenas uma vez (alguns dizem duas vezes) a cada sete anos (Talmud Babilónico, Tractate Kiddushin 71a). Finalmente, com a destruição do Segundo Templo em 70 d.C., o Nome nunca mais foi pronunciado.

Mais tarde, alguns especularam que o Nome era pronunciado como “Jeová” ou possivelmente “Yahweh” ou “Yaohu”, mas os estudiosos não concordaram. Ninguém sabia com certeza como se pronunciava o inefável Nome de D-us.

Mas e se o Yod-He-Vau-He foi por muito tempo impronunciável pela simples razão de que está escrito ao contrário?

De trás para a frente, o Nome de D-us torna-se He-Vau-He-Yod. E estas duas sílabas, He-Vau e He-Yod, podem ser vocalizadas como os sons equivalentes dos pronomes hebraicos “hu” e “hi”, que são traduzidos como “ele” e “ela” respectivamente. Combinando-os, He-Vau e He-Yod torna-se “Ele-Ela”.

Ele-Ela, eu acredito, é o impronunciável Nome de D-us! Este segredo esteve escondido a olhos vistos durante todos estes anos, porque afirma-se explicitamente na Torá: D-us engendrou eternamente o universo, a terra e as criaturas à própria imagem de D-us, masculino e feminino.

É desnecessário dizer que a noção de um D-us andrógino que cria essencialmente seres humanos andróginos tem profundas implicações. Há muito tempo, o Zohar, o livro de misticismo judeu por excelência, declarou: “É de incumbência de um homem ser sempre masculino e feminino” – uma afirmação estranha, especialmente no século XIII. Mas a nossa sociedade recentemente começou a mostrar sinais de ser capaz de entender e de querer aceitar essa mensagem.

O Dr. James Garbarino, um dos especialistas mais influentes da nossa geração em desenvolvimento de crianças, observa que as chamadas “meninas tradicionais que tem apenas características ‘femininas’ estão em desvantagem no que se refere ao coping [4]” e os chamados meninos tradicionais também estão em desvantagem. “Combinar os traços tradicionalmente femininos com os traços masculinos”, escreveu Garbarino em “See Jane Hit”, “contribui para uma maior resiliência”.

O rabino Jeffrey Salkin, autor de “Searching for My Brothers”, indica que as culturas judaicas e ocidentais mantiveram por muito tempo perspectivas diferentes sobre a questão da androginia. Enquanto a cultura ocidental diz “seja um homem”, ele explica, a mensagem da cultura judaica sempre foi “seja um homem bom”. Ser um homem bom – o que ele define como “masculinidade madura” – é “uma combinação tanto de traços masculinos quanto de femininos”.

Em seu famoso livro “Deborah, Golda, and Me”, a feminista judaica Letty Cottin Pogrebin desafia os judeus a “ampliar a capacidade do homem para as expressões emocionais e para o cuidado com a família, e a expandir as opções das crianças independentemente do seu género. É possível”, ela pergunta retoricamente, “que maiores oportunidades para as crianças, homens mais amorosos e mulheres mais competentes e confiantes não sejam bons para os judeus?”.

Ao discutir o patriarcado em “The Torah: A Women’s Commentary”, Rachel Adler comenta que o mundo “implora por reparos” – não apenas por causa das mulheres, mas por causa dos homens também. O trabalho do judaísmo reformado – de fato, o trabalho de todas as comunidades religiosas progressistas e igualitárias do mundo – requer um compromisso sempre mais profundo com esse reparo. Isto significa esforçar-se pela integridade em nós mesmos; com os nossos familiares; na relação entre si mesmo e a comunidade; e na relação entre as comunidades individuais e o mundo como um todo. Significa fazer tudo o que fizermos, nas palavras dos nossos místicos antigos, “l’shem yichud”, basicamente pela causa da unificação de D-us.

Agora, baseados nesta nova compreensão de D-us como Ele-Ela, é o momento de livrar-nos da concepção estereotipada de D-us como um velho homem com uma longa barba branca nas nuvens. Pensar em D-us como Ele-Ela nos concede a liberdade de ver a Divindade como a totalidade de toda a energia masculina e feminina.

É o momento de considerarmos a mudança de nossas orações mais sagradas, particularmente aquelas que se referem a D-us como Adonai. Os antigos rabinos empregaram a palavra “Senhor” (Adonai, em hebraico) como um substituto respeitável para o impronunciável Tetragrammaton e recentemente alguns judeus reformistas – incluindo os editores de “The Torah: A Women’s Commentary” – preferiram não usá-lo. Com esta nova cognição do Tetragrammaton, podemos revisitar confiantemente a nossa Declaração de Fé: “Shema Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad – Escuta, Israel, o S-nhor é nosso D-us, o S-nhor é Um” (Deuteronómio 6, 4) e afirmar, pelo contrário: “Shema Yisrael, Adonai Elohenu, Adonai Echad – Escuta, Israel, Ele-Ela é o nosso D-us, Ele-Ela é Um”.

É o momento de afirmarmos que a tradição de igualdade de género da reforma do judaísmo – que deu poder às mulheres para se tornarem rabinas, cantoras e líderes leigas da congregação – não é uma invenção moderna e, de certa forma, menos autêntica, mas sim emblemática da mais antiga concepção de D-us do judaísmo.

E é o momento de repensarmos como escolhemos passar adiante a nossa herança às próximas gerações. Se você já tentou ensinar D-us a uma classe de estudantes judeus precoces, você provavelmente já ouviu aquele sussurro do fundo da sala: “Sim, claro”. Bem, recentemente eu aproveitei a oportunidade e ensinei a minha turma pós-bar/bat mitzvah a minha ideia do nome secreto de D-us e o seu significado. Então, discutimos sobre o que isto implicaria nas nossas relações entre nós mesmos e com o Eterno Andrógino HaShem. Quando terminamos, um dos jovens voltou-se para os outros que estavam sentados ao redor da mesa e disse as palavras pelas quais os rabinos dão a sua vida: “O judaísmo [reformado]”, ele exclamou, “é tão espetacular”.

Notas: 

1. O versículo, na edição Ave Maria, diz: “Porventura fui eu que concebi esse povo? Ou acaso fui eu que o dei à luz, para me dizerdes: leva-o no teu seio como a ama costuma levar o bebé, para a terra que, com juramento, prometi aos seus pais?”.

2. “Adão pôs à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes”, na edição Ave Maria. Ou “O homem chamou a sua mulher Eva, por ser a mãe de todos os viventes”, na Bíblia de Jerusalém.

3. “A jovem que vier buscar água e a quem eu disser: Dá-me de beber, por favor, um pouco de água de teu cântaro, e a que responder: Bebe, não somente tu, mas tirarei água também para os camelos, essa deverá ser a mulher que o Senhor destinou para o filho do meu senhor’.”

4. Coping é o termo da psicologia utilizado para designar o conjunto de estratégias cognitivas e comportamentais desenvolvidas pelo sujeito para lidar com as exigências internas e externas que são avaliadas como excessivas (circunstâncias adversas ou estressantes), ou as reações emocionais dessas exigências.

A religião patriarcal JUDIA, no processo da sua evolução eliminou o culto feminino do Panteão, no princípio a religião não era monoteísta, mas rendia culto à D-usa que compartilhava o Panteão com Yahvé / Yahveh / Jehová / El / Yaohu. Como disse Franz K. Mayr (1989, 67): “… como mostrou Albright, o próprio substrato da religião primitiva hebraica oferecia uma estrutura triádica, com um deus Pai (El), uma deusa Mãe (Elath ou Anath) e um Filho (Shaddai).”

Existe um erro em considerar que na época arcaica o ser mãe virgem significasse: sem contato sexual, sem relação sexual.

Na época arcaica existia uma crença em muitas regiões do universo até à época histórica, que acreditava que as mulheres tinham filhos sendo “parthenii” / “virgens”, quer dizer, que se desligava a sexualidade da reprodução, que se acreditava assexuada, supondo que a mãe sozinha criava ao bebé; daí a sua grande importância e não se acreditava que o homem as fecundasse. Crença que parece absurda, mas que sobrevivia até há pouco tempo em muitos povos primitivos, antes do contato com a civilização ocidental (mais adiante aportaremos citações que o atestam). Daí que se afirmasse que tinham filhos de forma virginal, apesar de terem relações sexuais.

Este fato refletia-se nos mitos históricos universais que falavam de DEUSAS VIRGENS, Deusas Mães que tinham descendentes sem conhecer varão, de forma milagrosa, sem que o Princípio masculino estivesse presente, de maneira virginal (Virgo). [Em cada momento histórico, a humanidade projetava no Panteão as suas crenças e a estrutura da sua sociedade. A este respeito expõe Guichot e Sierra em:

(Ciencia De La Mitología. El Gran Mito Ctónico-solar. Prólogo De Manuel Sales Ferre. Edición Facsímil De La Del Año 1903

http://www.buscalibros.cl/buscar.php?autor=Guichot%20Y%20Sierra,%20Alejandro,

1989, 48): “E como, desde os primitivos mitos, os homens criaram a (sic) seus deuses à imagem sua,…”… “é claro que, nas primeiras sociedades humanas, o estado social e as ocupações tribais deram caráter às concepções religiosas,…”…”Assim, com respeito à organização social, segundo nos expõe Braga, onde prepondera o regime da maternidade, o deus é um fetiche feminino, a Terra-Mãe, que tira de si os deuses e as coisas; onde prepondera o regime da paternidade, o deus é masculino,…”].

Se nestas mitologias acreditava-se que a Deusa tinha filhos “sem necessidade de varão”, era porque (acreditava-se) autofecundava-se: era hermafrodita: a Deusa era Pai e Mãe, tinha tal grau de Autonomia que se Auto-concebia, Procriava-se, Engendrava-se a si mesma, Reproduzia-se (assexualmente). O que implica na crença na preeminência do Princípio feminino e a falta de importância e consideração do masculino.

E mais, estas Deusas dos Panteões politeístas que eram consideradas Mães Virgens, tinham relações sexuais promíscuas, eram infiéis aos seus esposos Divinos e tinham inumeráveis amantes, símbolo da total liberdade sexual feminina própria da sociedade matriarcal, e entregavam-se mesmo aos mortais.

Eram imagem da Prostituta Divina, a Voluptuosidade Divinizada, Deusas do Amor, Princípio exclusivo da Geração e da Fertilidade, Deusa do Amor Mistérico por um lado e Deusa do Amor profano por outro, Virgem e Prostituta, Virgem e Ama-de-leite, Casta e Lasciva.

Nas diferentes mitologias sagradas, nas que se baseiam os mitos cristãos da virgindade de Ana e de Maria, as Deusas eram hermafroditas / andróginas. Lemos na enciclopédia Espasa, Tomo 15 (1988, 1300) da Grande Deusa Lunar Cotito / Cotytto / Cotis / Kotytto, adorada na Trácia e na Sicília, Deusa hermafrodita da Impudícia: “O corrobora que suas danças eram marcadamente femininas e isto concorda com o caráter andrógino que os antigos atribuíam a todas as divindades lunares, às que representavam com atributos de ambos sexos. Renderam culto a Cotis os edenianos, vários reis odrizas levaram seu nome e nas moedas de Amadoco e de Teres aparece em um lado uma bifenna, símbolo das divindades andróginas, e no outro um rácimo de uvas ou (sic) uma cepa de vinha.”

Na mitologia cristã, Ana concebe a sua filha Maria de forma virginal e Maria concebe um filho Jesus sem a fecundação do seu esposo José, igual que a Grande Deusa Avó tinha uma filha de forma virginal e esta por sua vez era Mãe de um filho, sem que o Princípio masculino interviesse na fecundação, já que este autolisiava-se / autocastrava-se / era eunuco / impotente, os seus genitais eram comidos por um peixe: o que atesta a descendência matrilineal.

A doutrina cristã imita a metáfora da virgindade da Deusa, da religião matriarcal, mas já despossuída do seu valor. Desconhece que o mito de ser Virgem Mãe implica na crença na total Autonomia do Princípio feminino: Engendra a um novo ser sozinha, ou seja Autofecunda-se, é hermafrodita. E esquece que o mito da Virgem Mãe ressalta o direito materno e exemplifica a descendência matrilineal, o que demonstra a autêntica preeminência feminina. Portanto o fato das Igrejas cristãs considerarem que as figuras femininas conhcidas como a avó Ana e a sua filha Maria, a Mãe de Jesus, dão nascimento de maneira virginal, implica que (acreditava-se que) eram hermafroditas, e que ter descendentes virginalmente deixa transparecer que a filiação dava-se por linha feminina, que a sucessão era matrilineal: quem transmitia e legitimava era a via feminina, que lembra os usos sucessórios do matriarcado.

Contrariamente, com o advento da revolução patriarcal, para justificar os novos costumes do patriarcado, se acreditava que o princípio da descendência pertencia exclusivamente ao pai. Assim lemos na enciclopédia Espasa, Tomo 33 (1988, 1002): “O deus grego Dionisios promulgou a doutrina de divindade da paternidade sustentando que a mãe só é a cuidante do gérmen depositado em seu seio.”

De igual forma Burguière explica em (1988, 70): “… os meninos depositavam-se na matriz da mãe da mesma forma que as plantas crescem na terra a partir da semente que nela se planta. Por demais, esta ideia da mulher incubadora e do homem como único procriador transmitiu-se ao ocidente cristão, onde perdurou por muito tempo,…”

Desta maneira, nos casos em que as mulheres tinham filhos sem estar casadas legalmente na época patriarcal grega, dizia-se que eram mães virgens ou tinham filhos engendrados por Divindades. Um comentário dos redatores da enciclopédia Espasa, Tomo 33 (1988, 1005) atesta tal costume: “… foi engendrado por Zeus, quer dizer, por um pai desconhecido, uma característica do matriarcado.”

Na realidade explicava-se um fato desde a visão patriarcal, depois que nas novas crenças patriarcais o varão apropriou-se do Princípio masculino da capacidade de dar a Vida e tirou-se a da Mãe, verdadeira reprodutora, atribuindo ao Pai ser o único causador da reprodução, para justificar o fato de que transmitia a Vida. A respeito Rutherford em (1994, 59) comenta: “… toma a única via que via que tem aberta: negar a intervenção da Grande Mãe no mistério do nascimento. Contamos com exemplos nos quais o varão é quem leva a criança no seu seio. Zeus dá a luz a Atenas parindo-a pela cabeça, e a Dionisio pelo músculo. Os índios americanos também recorrem a esta [legenda] e no mito hindu nos encontramos com os ayonija, quer dizer, com aqueles seres nascidos sem gestação uterina.”

Os mitólogos cristãos, ao imitar os mitos religiosos de outras religiões pagãs e inventar os mitos cristãos da Imaculada Conceição ou o da Concepção virginal de Jesus, cometeram um erro de interpretação, ao não entenderem que as mitologias nas quais se baseavam eram metafóricas. Não compreenderam que a reprodução que se acreditava tinham as Deusas Virgens de forma assexual, por partenogénese / virginal / hermafrodita / agâmica / anafrodita / sem cooperação do sexo, referiam-se tanto a crenças arcaicas na irresponsabilidade do homem na concepção feminina (e que portanto solicitava-se a gravidez em dias determinados do ano, anunciados por precisas constelações), como a metáforas agrícolas e astronómicas.

O mito de que a Deusa dava à luz virginalmente codificava metáforas do processo agrícola, na qual se identificava a Deusa Virgem com a semente que se enterrava na terra (não acreditavam que existisse reprodução sexual), germinava em planta, crescia e dava filhos: espigas e frutos. E comemorado nos dias de festa dos dois períodos, desde que se aravam os campos (anunciadas por determinada posição das constelações), até que se recolhiam os frutos nas festas de “Recoleção” da colheita: quando a Deusa dava à luz virginalmente (num dos períodos agrícolas, anunciada pelo esplendor crepuscular da constelação Virgo).

Ao não entenderem tais metáforas, misturaram o mito da gravidez humana com metáforas agrícolas e consideraram que Maria e Ana como seres humanos que tinham filhos virginalmente. E posteriormente a Jesus o fazem ocupar o lugar preeminente no panteão cristão. Como aponta Mayr em (1989, 60): “Parece que a concepção matriarcal da divindade obteve inicialmente uma primazia, baseada em parte na cultura agrícola e na sua religiosidade da deusa agrária ou Magna Mater, até a invasão dos indo-europeus desde mediados do 2000 a.C. com a sua patriarcalização visível na religião homérica e, depois, na clássica grega.”

…”Precisamente o mito do Menino Divino representaria uma ponte entre a religiosidade matriarcal e patriarcal: o Menino Divino – como Filha ou Filho – foi um complemento da Grande Mãe, tornando-se posteriormente o seu acompanhante e um esposo, até que conquista todo o poder desta”.

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“Senão, imagem e semelhança seria só em relação aos homens.
O inconsciente coletivo compreendes – judeus e não judeus.
Aí começam a usar o termo “alma gémea”.
De repente, o castigo original foi separar o andrógino em nós e todos, peregrinos em busca do outro pedaço.
Pedaço de ele, pedaço de ela.
Além de tudo o que aprendi, vi beleza neste fato.
Dá uma certa leveza… não sei explicar mas agradeço”. http://hebreu.blogspot.com/
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Protestante por consciência calvinista e zuingliana, um teísta remanescente (cristão integrado na Oholyáo de YÁOHU UL) antinominiano ecuménico e inclusivo (agostiniano, espiritualidade carmelita dos descalços, espiritualidade montfortina, espiritualidade dos presbiteranos liberais da PCUSA: http://www.pcusa.org/, cristianismo redivivo; atento às notícias da ciência hodierna, sempre numa perspectiva inclusiva de todos os Yaoshorulitas e demais seres relacionais) por a absoluta graça do Soberano YÁOHU UL da História e da legenda. Protestante reformado (Baptista particular), cheunguiano (Vincent Cheung, vide: http://robertovargas-make.blogspot.com/2010/08/da-interpretacao-de-textos.html), pós-milenista bíblico, preterista parcial, reconstrucionista(herancareformada.blogspot.com/ 2010/02/o-teonomismo-implicacoes-teologicas.html), teonomista (dominionista), pressuposicionalista, supralapsariano (http://www.monergismo.com/textos/predestinacao/infra_supra_phil.htm), tudo em desenvolvimento; reformar sempre a reformar. Sempre a reformar.

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