“Bom Mestre, que devo fazer para alcançar
a vida eterna?” (Mc 10,17), excerto da cena evangélica do encontro de Jesus
com o jovem rico.

Convite à Valsa

1. Jesus encontra um jovem

“Enquanto [Jesus] andava pelo caminho, – narra o Evangelho de São
Marcos – um certo jovem saiu-lhe ao encontro e, lançando-se de joelhos diante
dele, perguntou-lhe: «Bom Mestre, que devo fazer para ter em herança a a
vida eterna?». Jesus respondeu-lhe: «Porque me chamas Bom? Ninguém é bom
senão Deus. Tu conheces os mandamentos: Não matar, não cometer adultério,
não roubar, não dar falso testemunho, não cometas fraudes, honra pai e
mãe». Ele, então, disse-lhe: «Mestre, todas estas coisas tenho-as observado
desde a minha juventude». Então Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe:

«Uma coisa só te falta: vai, vende o que tens e dá-o aos pobres, e terás um
tesouro no céu; depois, vem e segue-me!». Mas a estas palavras ele ficou
pesaroso e retirou-se entristecido porque tinha muitos bens” (Mc 10, 17-22).

Este relato exprime de forma eficaz a grande atenção de Jesus para
com os jovens, sobre eles, sobre as vossas expectativas, as vossas
esperanças, e mostra bem como é grande o seu desejo de encontrar-vos
pessoalmente e de estabelecer um diálogo com cada um de vós. Cristo, de
facto, interrompe o seu caminho para responder à pergunta do seu
interlucotor, manifestando plena disponibilidade para aquele jovem, que é
movido por um ardente desejo de falar com o «Bom mestre», para aprender
d’Ele a percorrer o caminho da vida. Com este trecho evangélico, o meu
Predecessor queria exortar cada um de vós a “desenvolver um diálogo
próprio com Cristo – um diálogo que é de uma importância fundamental e
essencial para um jovem” (Carta aos Jovens, n. 2).

2. Jesus olhou-o e amou-o

No relato evangélico, São Marcos sublinha como “Jesus fixou nele o
olhar e amou-o” (cfr. Mc 10,21). No olhar do Senhor está o coração deste
encontro tão especial e mesmo de toda a experiência cristã. De facto, o
cristianismo não é, em primeiro lugar, uma moral, mas antes a experiência
de Jesus Cristo, que nos ama pessoalmente, jovens ou velhos, pobres ou
ricos; nos ama mesmo quando lhe viramos as costas.

Comentando a cena, o Papa João Paulo II acrescentava, dirigindo-se
a vós, jovens: “Desejo-vos que experimenteis um olhar assim! Desejo-vos a
experiência de que Ele, o Cristo, verdadeiramente vos olha com amor!”

(Carta aos Jovens, n. 7). Um amor, manifestado sobre a Cruz de um modo
tão pleno e total, que faz São Paulo escrever com assombro: “Amou-me e
entregou-se por mim!” (Gl 2,20). “A consciência de que o Pai nos ama desde
sempre no seu Filho, de que Cristo ama cada um e sempre – escreve ainda
o Papa João Paulo II -, converte-se num ponto firme de apoio para toda a
nossa existência humana” (Carta aos Jovens, n. 7), e permite-nos superar
todas as provas: a descoberta dos nossos pecados, o sofrimento, o
desânimo.

Neste amor encontra-se a fonte de toda a vida cristã e a razão
fundamental da evangelização: se verdadeiramente encontrámos Jesus,
não podemos fazer menos do que testemunhá-lo àqueles que não se
cruzaram ainda com o seu olhar!

3. A descoberta do projecto de vida

No jovem do Evangelho, podemos entrever uma condição muito
semelhante à de cada um de nós. Também vós estais cheios de qualidades,
de energias, de sonhos, de esperanças: recursos que possuis em
abundância! Mesmo a vossa idade constitui uma grande riqueza não
apenas para vós, mas também para os outros, para a Igreja e para o
mundo.

O jovem rico pergunta a Jesus: “O que devo fazer?”. A estação da vida
em que estais imersos é tempo de descoberta: dos dons que Deus vos
concedeu e da vossa responsabilidade. E ainda é tempo de escolhas
fundamentais para construir o vosso projecto de vida. Por isso, é o
momento de interrogar-vos sobre o sentido autêntico da existência e de
perguntar-vos: “Estou satisfeito com a minha vida? Falta-me alguma
coisa?”.

Como o jovem do Evangelho, talvez também vós viveis situações de
instabilidade, de confusão ou sofrimento, que vos levam a aspirar a uma
una vida não medíocre e a interrogar-vos: em que consiste uma vida de
sucesso? O que devo fazer? Qual pode ser o meu projecto de vida? “O que
devo fazer para que a minha vida tenha pleno valor e pleno sentido?” (Ibid.,
n. 3).

Não tenhais medo de enfrentar estas perguntas! Longe de oprimir-vos,
elas exprimem as grandes aspirações que estão presentes no vosso
coração. Portanto, que sejam atendidas. Elas reclamam respostas não
superficiais, mas capazes de satisfazer as vossas autênticas expectativas
de vida e de felicidade.

Para descobrir o projecto de vida que vos pode fazer plenamente
felizes, ponde-vos à escuta de Deus, que tem um desígnio de amor sobre
cada um de vós. Com confiança, pedi-lhe: “Senhor, qual é o teu projecto de
Criador e Pai sobre a minha vida? Qual é a tua vontade? Eu desejo cumpri-la”.

Estai certos de que vos responderá. Não tenhais medo da sua resposta!
“Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas” (1Jo 3,20)!

4. Vem e segue-me!

Jesus convida o jovem rico a caminhar além da satisfação das suas
aspirações e dos seus projectos pessoais, diz-lhe: “Vem e segue-me!”. A
vocação cristã brota de uma proposta de amor do Senhor e pode realizar-se
apenas graças a uma resposta de amor: “Jesus convida os seus discípulos
ao dom total da sua vida, sem cálculos e contrapartidas humanas, com
uma confiança sem reservas em Deus. Os santos acolhem este convite
exigente e colocam-se com humilde docilidade no seguimento de Cristo
crucificado e ressuscitado. A sua perfeição na lógica da fé, às vezes
humanamente incompreensível, consiste em não colocar-se a si mesmos no
centro mas em escolher seguir contra a corrente, vivendo segundo o
Evangelho” (Bento XVI, Homilia por ocasião das Canonizações: L’Osservatore
Romano, 12-13 de Outubro 2009, p. 6).

Sob o exemplo de tantos discípulos de Cristo, também vós, caros
amigos, acolhei com alegria o convite ao seguimento, para viver
intensamente e com frutos neste mundo. De facto, no Baptismo Ele chama
cada um a segui-lo com acções concretas, a amá-lo acima de todas as
coisas e a servi-lo nos irmãos. O jovem rico, infelizmente, não acolhe o
convite de Jesus e foi-se embora contristado. Não teve a coragem de
distanciar-se dos bens materiais para encontrar o bem maior proposto por
Jesus.

A tristeza do jovem rico do Evangelho é aquela que nasce no coração
de cada um quando não se tem a coragem de seguir Cristo, de fazer a
escolha certa. Mas nunca é tarde de mais para responder-lhe!
Jesus nunca se cansa de voltar o seu olhar de amor e chamar a ser
seus discípulos, mas Ele propõe a alguns uma escolha ainda mais radical.
Neste Ano Sacerdotal, queria exortar os jovens e os adolescentes a estar
atentos por se o Senhor os convida a um dom maior, no caminho do
Sacerdócio ministerial, e a tornar-se disponíveis a acolher com
generosidade e entusiasmo este sinal de especial predilecção, iniciando
com um sacerdote, com o director espiritual o necessário caminho de
discernimento. Não tenhais medo, pois, caros e caras jovens, se o Senhor
vos chama à vida religiosa, monástica, missionária ou de especial
consagração: Ele sabe dar alegria profunda a quem responde com coragem!

Convida, ainda, a quantos sentem a vocação ao matrimónio a acolhê-la
com fé, empenhando-se a pôr alicerces sólidos para viver um amor
grande, fiel e aberto ao dom da vida, que é riqueza e graça para a
sociedade e para a Igreja.

5. Orientados para a vida eterna

“O que devo fazer para ter em herança a vida eterna?”. Esta pergunta
do jovem do Evangelho parece longínqua das preocupações de muitos
jovens contemporâneos, pois, como observava o meu Predecessor, “não
somos nós a geração a quem o mundo e o progresso temporal enchem
completamente o horizonte da existência?” (Carta aos jovens, n. 5). Mas a
pergunta sobre a “vida eterna” surge em momentos particularmente
dolorosos da existência, quando sofremos a perda de uma pessoa querida
ou quando vivemos a experiência do fracasso.

Mas o que é a “vida eterna” a que se refere o jovem rico? Isso explica-o
Jesus, quando, dirigindo-se aos seus discípulos, afirma: “Virei de novo a
vós e o vosso coração encher-se-á de alegria e ninguém vos poderá tirar a
vossa alegria” (Jo 16,22). São palavras que indicam uma proposta exaltante
de felicidade sem fim, de alegria por ser possuídos do amor divino para
sempre.

Interrogar-se sobre o futuro definitivo que espera a cada um de nós,
confere um sentido pleno à existência, pois orienta o projecto de vida para
horizontes não limitados e passageiros, mas amplos e profundos, que
levam a amar o mundo, ele mesmo amado por Deus, a dedicar-se ao seu
desenvolvimento, mas sempre com a liberdade e a alegria que nascem da fé
e da esperança. São horizontes que ajudam a não absolutizar as realidades
terrenas, sentindo que Deus nos reserva uma perspectiva maior, e a repetir
com Santo Agostinho: “Desejamos juntos a pátria celeste, suspiramos pela
pátria celeste, sinta-mo-nos peregrinos aqui” (Comentário ao Evangelho de
São João, Homilia 35, 9). Tendo o olhar fixo na vida eterna, o Beato Pier
Giorgio Frassati, que morreu em 1925 na idade de 24 anos, dizia: “Quero
viver e não sobreviver!” e na fotografia de uma escalada, enviada a um
amigo, escrevia assim: “Para o alto”, fazendo referência à perfeição cristã,
mas também à vida eterna.

Caros jovens, exorto-vos a não esquecer esta perspectiva no vosso
projecto de vida: somos chamados à eternidade. Deus criou-nos para estar
com Ele para sempre. Ela ajudar-vos-á a dar um sentido pleno às vossas
escolhas e a dar qualidade à vossa existência.

6. Os mandamentos, caminho do amor autêntico

Jesus recorda ao jovem rico os dez mandamentos como condições
necessárias para “ter em herança a vida eterna”. Eles são pontos de
referência essenciais para viver no amor, para distinguir claramente o bem
do mal e construir um projecto de vida sólido e duradouro. Também a vós,
Jesus pergunta se conheceis os mandamentos, se vos preocupais de
formar a vossa consciência segundo a lei divina e se os pondes em prática.

É verdade que se trata de exigências contra a corrente com respeito à
mentalidade actual, que propõe uma liberdade separada dos valores, das
regras, das normas objectivas e que convida a rejeitar qualquer limite aos
desejos do momento. Mas este tipo de proposta em vez de conduzir à
verdadeira liberdade, leva o homem a tornar-se escravo de si mesmo, dos
seus desejos imediatos, dos ídolos como o poder, o dinheiro, o prazer
desenfreado e as seduções do mundo, tornando-o incapaz de seguir a sua
natural vocação ao amor.

Deus dá-nos os mandamentos porque nos educar para a verdadeira
liberdade, porque quer construir connosco um Reino de amor, de justiça e
de paz. Escutá-los e pô-los em prática não significa alienar-se, mas
encontrar o caminho da liberdade e do amor autênticos, porque os
mandamentos não limitam a felicidade, mas indicam como encontrá-la.
Jesus, ao iniciar o diálogo com o jovem rico, recorda que a lei dada por
Deus é boa, porque “Deus é bom”.

7. Precisamos de vós

Quem vive hoje a condição juvenil tem de enfrentar muitos problemas
derivados da desocupação, da falta de referências ideais certas e de
perspectivas concretas para o futuro. Às vezes, tem-se a impressão de ser
impotentes diante das crises e desnortes actuais. Apesar das dificuldades,
não vos deixeis desanimar e não renuncieis aos vossos sonhos! Pelo
contrário, cultivai no coração desejos grandes de fraternidade, de justiça e
de paz. O futuro está nas mãos de quem sabe procurar e encontrar razões
fortes de vida e de esperança. Se quiserdes, o futuro está nas vossas mãos,
porque os dons e as riquezas que o Senhor colocou no coração de cada um
de vós, plasmados no encontro com Cristo, podem trazer autêntica
esperança ao mundo! É a fé no seu amor que, tornando-vos fortes e
generosos, vos dará a coragem de enfrentar com serenidade o caminho da
vida e assumir responsabilidades familiares e profissionais. Empenhai-vos
em construir o vosso futuro através de itinerários sérios de formação
pessoal e de estudo, para servir de modo competente e generoso o bem
comum.

Na minha recente Carta encíclica sobre o desenvolvimento humano
integral, Caritas in veritate, mencionei alguns dos grandes desafios actuais,
que são urgentes e essenciais para a vida deste mundo: o uso dos recursos
da terra e o respeito pela ecologia, a justa divisão dos bens e o controlo dos
mecanismos financeiros, a solidariedade com os Países pobres no âmbito
da família humana, a luta contra a fome no mundo, a promoção da
dignidade do trabalho humano, o serviço à cultura da vida, a construção
da paz entre os povos, o diálogo inter-religioso, o bom uso dos meios de
comunicação social.

São desafios aos quais sois chamados a responder para construir um
mundo mais justo e mais fraterno. São desafios que reclamam um projecto
de vida exigente e apaixonante, onde colocar toda a vossa riqueza segundo
o desígnio que Deus tem para cada um de vós. Não se trata de fazer gestos
heróicos nem extraordinários, mas de agir pondo a render os próprios
talentos e as próprias possibilidades, empenhando-se em progredir
constantemente na fé e no amor.
Jesus: “que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei” (Jo 13, 34).

É possível amar?

Cada pessoa sente o desejo de amar e ser amada. Mas como é difícil amar, quantos erros e falências se verificam no amor! Há até quem chegue a duvidar se o amor é possível. Mas se carências afectivas ou desilusões sentimentais podem levar a pensar que amar é uma utopia, um sonho irrealizável, será solução resignar-se? Não! O amor é possível e a finalidade desta mensagem é contribuir para reavivar em cada um de vós, que sois o futuro e a esperança da humanidade, a confiança no amor verdadeiro, fiel e forte; um amor que gera paz e alegria; um amor que une as pessoas, fazendo-as sentir-se livres no respeito mútuo. Deixai então que eu percorra juntamente convosco um itinerário, em três tempos, na “descoberta” do amor.

Deus, fonte do amor

O primeiro tempo refere-se à fonte do amor verdadeiro, que é única: Deus. São João faz ressaltar bem este aspecto ao afirmar que “Deus é amor” (1 Jo 4, 8.16); agora ele não quer dizer apenas que Deus nos ama, mas que o próprio ser de Deus é amor. Estamos aqui diante da revelação mais luminosa da fonte do amor que é o mistério trinitário: em Deus, uno e trino, há um intercâmbio eterno de amor entre as pessoas do Pai e do Filho, e este amor não é uma energia ou um sentimento, mas uma pessoa, o Espírito Santo.

A Cruz de Cristo revela plenamente o amor de Deus

Como se nos manifesta o Deus-Amor? Estamos no segundo tempo do nosso itinerário. Mesmo se já na criação são claros os sinais do amor divino, a revelação total do mistério íntimo de Deus verificou-se com a Encarnação, quando o próprio Deus se fez homem. Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu sentido. De facto, “a verdadeira novidade do Novo Testamento, escrevi na Encíclica Deus caritas est, não consiste em ideias novas, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos: um realismo extraordinário” (n. 12). A manifestação do amor divino é total e perfeita na Cruz, onde, como afirma São Paulo, “é assim que Deus demonstra o seu amor para connosco: quando ainda éramos pecadores é que Cristo morreu por nós” (Rm 5, 8). Portanto, cada um de nós pode dizer sem receio de errar: “Cristo amou-me e entregou-se a Si mesmo por mim” (Ef 5, 2). Redimida pelo seu sangue, vida humana alguma é inútil ou de pouco valor, porque todos somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites. A Cruz, loucura para o mundo, escândalo para muitos crentes, é ao contrário “sabedoria de Deus” para todos os que se deixam tocar profundamente no seu ser, “o que é considerado loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é debilidade de Deus é mais forte que os homens” (1 Cor 1, 24-25). Aliás, o Crucificado, que depois da ressurreição carrega para sempre os sinais da própria paixão, põe em relevo as “falsificações” e as mentiras sobre Deus, que se disfarçam com a violência, a vingança e a exclusão. Cristo é o Cordeiro de Deus, que assume os pecados do mundo e arranca o ódio do coração do homem. Eis a sua verdadeira “revolução”: o amor.

Amar o próximo como Cristo nos ama

Chegamos agora ao terceiro tempo da nossa reflexão. Na cruz Cristo grita: “Tenho sede” (Jo 19, 28). Revela assim uma sede ardente de amar e de ser amado por todos nós. Só quando conseguirmos compreender a profundeza e a intensidade deste mistério, nos aperceberemos da necessidade e da urgência de o amarmos “como” Ele nos amou. Isto exige o compromisso de dar também, se for necessário, a própria vida pelos irmãos sustentados pelo Seu amor. Já no Antigo Testamento Deus dissera: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19, 18), mas a novidade de Cristo consiste no facto de que amar como Ele nos amou significa amar todos, sem distinções, também os inimigos, “até ao fim” (cf. Jo 13, 1).

Testemunhas do amor de Cristo

Gostaria agora de me deter sobre três âmbitos da vida quotidiana onde vós, queridos jovens, sois particularmente chamados a manifestar o amor de Deus. O primeiro é a Igreja que é a nossa família espiritual, composta por todos os discípulos de Cristo. Recordando-nos das suas palavras: “Por isso é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 35), alimentai, com o vosso entusiasmo e com a vossa caridade, as actividades das paróquias, das comunidades, dos movimentos eclesiais e dos grupos juvenis aos quais pertenceis. Sede solícitos em procurar o bem do próximo, fiéis aos compromissos assumidos. Não hesiteis em renunciar com alegria a alguns dos vossos divertimentos, aceitai de bom grado os sacrifícios necessários, testemunhai o vosso amor fiel a Jesus anunciando o seu Evangelho especialmente aos vossos contemporâneos.

Preparar-se para o futuro

O segundo âmbito, no qual sois chamados a expressar o amor e a crescer nele, é a preparação para o futuro que vos espera. Se sois noivos, Deus tem um projecto de amor para o vosso futuro de casal e de família e por conseguinte é essencial que o descubrais com a ajuda da Igreja, livres do preconceito difundido de que o cristianismo, com os seus mandamentos e as suas proibições, constitui obstáculos à alegria do amor e impede sobretudo de viver plenamente aquela felicidade que o homem e a mulher procuram no seu amor recíproco. O amor do homem e da mulher está na origem da família humana, e o casal formado por um homem e por uma mulher tem o seu fundamento no desígnio original de Deus (Gn 2, 18-25). Aprender a amar-se como casal é um caminho maravilhoso, que contudo exige uma aprendizagem laboriosa. O período do noivado, fundamental para construir o casal, é um tempo de expectativa e de preparação, que deve ser vivido na castidade dos gestos e das palavras. Isto permite amadurecer no amor, na solicitude e nas atenções ao outro; ajuda a exercer o domínio de si, a desenvolver o respeito do outro, características do verdadeiro amor que não procura em primeiro lugar a própria satisfação nem o seu bem-estar. Na oração comum, pedi ao Senhor que guarde e incremente o vosso amor e o purifique de qualquer egoísmo. Não hesiteis em responder generosamente à chamada do Senhor, porque o matrimónio cristão é uma verdadeira e autêntica vocação na Igreja. De igual modo, queridos jovens e queridas jovens, estai preparados para dizer “sim”, se Deus vos chamar a segui-lo pelo caminho do sacerdócio ministerial ou da vida consagrada. O vosso exemplo servirá de encorajamento para muitos outros vossos contemporâneos, que estão em busca da verdadeira felicidade.

Crescer no amor todos os dias

O terceiro âmbito do compromisso que o amor exige é o da vida quotidiana nos seus diversos aspectos. Refiro-me sobretudo à família, à escola, ao trabalho e ao tempo livre. Queridos jovens, cultivai os vossos talentos não só para conquistar uma posição social, mas também para ajudar os outros “a crescer”. Desenvolvei as vossas capacidades, não só para vos tornardes mais “competitivos” e “produtivos”, mas para serdes “testemunhas da caridade”. Juntai à formação profissional o esforço de adquirir conhecimentos religiosos úteis, para poder desempenhar a vossa missão de modo responsável. Convido-vos sobretudo a aprofundar a Doutrina Social da Igreja, para que a vossa acção no mundo seja inspirada e iluminada pelos seus princípios. O Espírito Santo faça com que sejais inovadores na caridade, perseverantes nos compromissos que assumis, e audaciosos nas vossas iniciativas, a fim de que possais oferecer o vosso contributo para a edificação da “civilização do amor”. O horizonte do amor é verdadeiramente ilimitado: é o mundo inteiro!

“Atrever-se a amar” seguindo o exemplo dos santos

Queridos jovens, gostaria de vos convidar a “atrever-se a amar”, isto é, a não desejar mais do que um amor forte e belo, capaz de tornar toda a existência uma jubilosa realização da doação de vós próprios a Deus e aos irmãos, à imitação d’Aquele que mediante o amor venceu para sempre o ódio e a morte (cf. Ap 5, 13). O amor é a única força capaz de mudar o coração do homem e a humanidade inteira, tornando frutíferas as relações entre homens e mulheres, entre ricos e pobres, entre culturas e civilizações. Disto dá testemunho a vida dos Santos que, verdadeiros amigos de Deus, são o canal e o reflexo deste amor original. Comprometei-vos a conhecê-los melhor, entregai-vos à sua intercessão, procurai viver como eles. Limito-me a citar Madre Teresa que, para se apressar a responder ao grito de Cristo “Tenho sede”, grito que a comoveu profundamente, começou a recolher os moribundos nas estradas de Calcutá, na Índia. A partir de então, o único desejo da sua vida tornou-se o de extinguir a sede de amor de Jesus, não com palavras, mas com gestos concretos, reconhecendo o seu rosto desfigurado, sequioso de amor, no rosto dos mais pobres. A Beata Teresa pôs em prática o ensinamento do Senhor: “Sempre que fizerdes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). E a mensagem desta humilde testemunha do amor divino difundiu-se por todo o mundo.

O segredo do amor

Queridos amigos, a cada um de nós só é concedido alcançar este grau de amor se recorrermos ao indispensável apoio da graça divina. Só a ajuda do Senhor nos permite, de facto, evitar a resignação diante da grandiosidade da tarefa a ser desenvolvida e infunde-nos a coragem de realizar quanto é humanamente impensável. Sobretudo a Eucaristia é a grande escola do amor. Quando se participa regularmente e com devoção na Santa Missa, quando se vivem na companhia de Jesus Eucarístico pausas prolongadas de adoração, é mais fácil compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do seu amor que ultrapassa todo o conhecimento (cf. Ef 3, 17-18). Partilhando o Pão eucarístico com os irmãos da comunidade eclesial sentimo-nos depois estimulados a converter com prontidão, como fez a Virgem com Isabel, o amor de Cristo em generoso serviço aos irmãos.
Protagonista da história da salvação, que é o Espírito Santo ou Espírito de Jesus, para alcançar estas altas finalidades: reconhecer a verdadeira identidade do Espírito, em primeiro lugar ouvindo a Palavra de Deus na Revelação da Bíblia; tomar uma consciência límpida da sua presença contínua e activa na vida da Igreja, em particular redescobrindo que o Espírito Santo se põe como “alma”, sopro vital da própria vida cristã, graças aos sacramentos da iniciação cristã Baptismo, Confirmação e Eucaristia; tornar-se assim capaz de amadurecer uma compreensão de Jesus cada vez mais profunda e alegre e, contemporaneamente, de realizar uma prática eficaz do Evangelho no alvorecer do terceiro milénio. Com esta mensagem, ofereço-vos de bom grado um percurso de meditação para aprofundar ao longo deste ano de preparação, no qual verificar a qualidade da vossa fé no Espírito Santo, reencontrá-la se foi perdida, revigorá-la se está debilitada e saboreá-la como companhia do Pai e do Filho Jesus Cristo, precisamente graças à obra indispensável do Espírito Santo. Nunca esqueçais que a Igreja, aliás a própria humanidade, a que vos circunda e a que vos aguarda no futuro, espera muito de vós, jovens, porque tendes em vós o dom supremo do Pai, o Espírito de Jesus.

2. A promessa do Espírito Santo na Bíblia
A escuta atenta da Palavra de Deus a respeito do mistério e da obra do Espírito Santo introduz-nos em conhecimentos vastos e estimulantes, que resumo nos seguintes pontos.
Pouco antes da sua ascensão, Jesus disse aos discípulos: “Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu” (Lc 24, 49). Isto realizou-se no dia do Pentecostes, quando eles estavam reunidos em oração no Cenáculo com a Virgem Maria. A efusão do Espírito Santo na Igreja nascente foi o cumprimento de uma promessa de Deus, muito mais antiga, anunciada e preparada em todo o Antigo Testamento.
Com efeito, desde as primeiras páginas a Bíblia evoca o espírito de Deus como um sopro que “se movia sobre a superfície das águas” (cf. Gn 1, 2) e especifica que Deus insuflou pelas narinas do homem um sopro de vida (cf. Gn 2, 7), infundindo-lhe assim a própria vida. Depois do pecado original, o espírito vivificador de Deus manifestar-se-á diversas vezes na história dos homens, suscitando profetas para incitar o povo eleito a voltar para Deus e a observar fielmente os seus mandamentos. Na célebre visão do profeta Ezequiel, Deus faz reviver com o seu espírito o povo de Israel, representado por “ossos dissecados” (cf. 37, 1-14). Joel profetiza uma “efusão do espírito” sobre todo o povo, sem excluir ninguém: “Depois disto escreve o Autor sagrado acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne… Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas” (3, 1-2).
Na “plenitude dos tempos” (cf. Gl 4, 4), o anjo do Senhor anuncia à Virgem de Nazaré que o Espírito Santo, “poder do Altíssimo”, descerá e estenderá sobre ela a sua sombra. Aquele que Ela dará à luz será, portanto, santo e chamado Filho de Deus (cf. Lc 1, 35). Segundo a expressão do profeta Isaías, o Messias será Aquele sobre o qual se repousará o Espírito do Senhor (cf. 11, 1-2; 42, 1). Jesus retomou precisamente esta profecia no início do seu ministério público na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor disse Ele, no meio da admiração dos presentes está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, o recobrar da vista; para mandar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-19; cf. Is 61, 1-2). Dirigindo-se aos presentes, referirá a si mesmo estas palavras proféticas, afirmando: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabastes de ouvir” (Lc 4, 21). E antes da sua morte na cruz, ainda anunciará várias vezes aos discípulos a vinda do Espírito Santo, o “Consolador”, cuja missão consistirá em dar-lhe testemunho e assistir os fiéis, ensinando-os e orientando-os para a Verdade integral (cf. Jo 14, 16-17.25-26; 15, 26; 16, 13).

3. O Pentecostes, ponto de partida da missão da Igreja
À noite, no dia da sua ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos, “soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”” (Jo 20, 22). Com força ainda maior, o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos no dia do Pentecostes: “Subitamente ressoou, vindo do Céu lê-se nos Actos dos Apóstolos um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou sobre cada um deles” (2, 2-3).
O Espírito Santo renovou interiormente os Apóstolos, revestindo-os de uma força que os tornou audazes para anunciar sem medo: “Cristo morreu e ressuscitou!”. Livres de todo o temor, eles começaram a falar com franqueza (cf. Act 2, 29; 4, 13; 4, 29.31). De pescadores amedrontados, tornaram-se corajosos anunciadores do Evangelho. Nem sequer os seus inimigos conseguiam compreender como homens “iletrados e plebeus” (cf. Act 4, 13) eram capazes de manifestar uma coragem como esta e suportar as contrariedades, os sofrimentos e as perseguições com alegria. Nada podia detê-los. Àqueles que procuravam reduzi-los ao silêncio, respondiam: “Quanto a nós, não podemos deixar de afirmar publicamente o que vimos e ouvimos” (Act 4, 20). Assim nasceu a Igreja, que a partir do dia do Pentecostes não cessou de irradiar a Boa Nova “até aos confins do mundo” (Act 1, 8).

4. O Espírito Santo alma da Igreja e princípio de comunhão
Mas para compreender a missão da Igreja, temos que voltar ao Cenáculo, onde os discípulos estavam reunidos (cf. Lc 24, 49) a rezar com Maria, a “Mãe”, à espera do Espírito prometido. Neste ícone da Igreja nascente devem inspirar-se constantemente todas as comunidades cristãs. A fecundidade apostólica e missionária não é principalmente o resultado de programas e métodos pastorais sabiamente elaborados e “eficazes”, mas é fruto da oração comunitária incessante (cf. Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, 75). Além disso, a eficácia da missão pressupõe que as comunidades permaneçam unidas, ou seja, tenham “um só coração e uma só alma” (cf. Act 4, 32) e estejam dispostas a dar testemunho do amor e da alegria que o Espírito Santo infunde nos corações dos fiéis (cf. Act 2, 42). O Servo de Deus João Paulo II pôde escrever que antes de ser acção, a missão da Igreja é testemunho e irradiação (cf. Encíclica Redemptoris missio, 26). Assim aconteceu nos primórdios do cristianismo, quando os pagãos escreve Tertuliano se convertiam ao verem o amor que reinava entre os cristãos: “Vê dizem como se amam uns aos outros” (cf. Apologético, 39 7).
Concluindo esta rápida consideração da Palavra de Deus na Bíblia, convido-vos a observar como o Espírito Santo é o dom mais excelso de Deus ao homem e, portanto, o testemunho supremo do seu amor por nós, um amor que se expressa concretamente como “sim à vida” que Deus deseja para cada uma das suas criaturas. Este “sim à vida” tem a sua forma plena em Jesus de Nazaré e na sua vitória sobre o mal, mediante a redenção. A este propósito, nunca esqueçamos que o Evangelho de Jesus, precisamente em virtude do Espírito, não se reduz a uma simples constatação, mas quer tornar-se “boa nova para os pobres, libertação para os prisioneiros, vista para os cegos…”. É aquilo que se manifestou com vigor no dia do Pentecostes, tornando-se graça e tarefa da Igreja em favor do mundo, a sua missão prioritária.
Nós somos os frutos desta missão da Igreja, por obra do Espírito Santo. Trazemos dentro de nós aquele selo do amor do Pai em Jesus Cristo, que é o Espírito Santo. Nunca o esqueçamos, porque o Espírito do Senhor se recorda sempre de cada um e quer, em particular mediante vós, jovens, suscitar no mundo o vento e o fogo de um novo Pentecostes.

5. O Espírito Santo “Mestre interior”
Estimados jovens, portanto também hoje o Espírito Santo continua a agir com poder na Igreja, e os seus frutos são abundantes na medida em que se dispõem a abrir-nos à sua força renovadora. Por isso, é importante que cada um de nós O conheça, entre em relação com Ele e por Ele se deixe orientar. Mas nesta altura apresenta-se naturalmente uma pergunta: quem é para mim o Espírito Santo? Com efeito, não são poucos os cristãos para os quais Ele continua a ser o “grande desconhecido”. Eis por que, ao preparar-nos para a próxima Jornada Mundial da Juventude, desejei convidar-vos a aprofundar o conhecimento pessoal do Espírito Santo. Na nossa profissão de fé, proclamamos: “Creio no Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida, e procede do Pai e do Filho” (Símbolo Niceno-Constantinopolitano). Sim, o Espírito Santo, Espírito de amor do Pai e do Filho, é Fonte de vida que nos santifica, “porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi concedido” (Rm 5, 5). Todavia, não é suficiente conhecê-lo; é necessário acolhê-lo como guia das nossas almas, como o “Mestre interior” que nos introduz no Mistério trinitário, porque somente Ele pode abrir-nos à fé e permitir-nos vivê-la plenamente todos os dias. Ele impele-nos rumo aos outros, acende em nós o fogo do amor e torna-nos missionários da caridade de Deus.
Bem sei como vós, jovens, tendes no coração uma grande estima e amor a Jesus, como desejais encontrá-lo e falar com Ele. Pois bem, recordai-vos que precisamente a presença do Espírito em nós atesta, constitui e constrói a nossa pessoa na própria Pessoa de Jesus crucificado e ressuscitado. Portanto, tornemo-nos familiares com o Espírito Santo, para o sermos com Jesus.

6. Os Sacramentos da Confirmação e da Eucaristia
Mas direis como podemos deixar-nos renovar pelo Espírito Santo e crescer na nossa vida espiritual? A resposta sabeis é: através dos sacramentos, porque a fé nasce e se fortalece em nós graças aos sacramentos, antes de tudo aos sacramentos da iniciação cristã: o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia, que são complementares e inseparáveis (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1285). Esta verdade sobre os três sacramentos que se encontram no início do nosso ser cristãos é, talvez, descuidada na vida de fé de não poucos cristãos, para os quais eles são gestos cumpridos no passado, sem incidência real no presente, como raízes desprovidas da linfa vital. Acontece que, depois de terem recebido a Confirmação, diversos jovens se afastam da vida de fé. E há também jovens que nem sequer recebem este sacramento. Contudo, é mediante os sacramentos do Baptismo, da Confirmação e em seguida, de modo continuativo, da Eucaristia, que o Espírito Santo nos torna filhos do Pai, irmãos de Jesus, membros da sua Igreja, capazes de um verdadeiro testemunho do Evangelho, fruidores da alegria da fé.
Por isso, convido-vos a reflectir sobre aquilo que vos escrevo. Hoje é particularmente importante redescobrir o sacramento da Confirmação e voltar a encontrar o seu valor para o nosso crescimento espiritual. Quem recebeu os sacramentos do Baptismo e da Confirmação recorde-se que se tornou “templo do Espírito”: Deus habita nele. Esteja sempre consciente disto e faça com que o tesouro que nele se encontra dê frutos de santidade. Quem é baptizado, mas ainda não recebeu o sacramento da Confirmação, prepare-se para o receber, consciente de que assim há-de tornar-se um cristão “completo”, porque a Confirmação aperfeiçoa a graça baptismal (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1302-1304).
A Confirmação dá-nos uma força especial para testemunhar e glorificar a Deus com toda a nossa vida (cf. Rm 12, 1); torna-nos intimamente conscientes da nossa pertença à Igreja, “Corpo de Cristo”, de Quem todos nós somos membros vivos, solidários uns com os outros (cf. 1 Cor 12, 12-25). Deixando-se orientar pelo Espírito, cada baptizado pode oferecer a sua contribuição para a edificação da Igreja, graças aos carismas que Ele infunde, porque “a manifestação do Espírito é dada a cada um, para proveito comum” (1 Cor 12, 7). E quando o Espírito age, traz na própria alma os seus frutos, que são “caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança” (Gl 5, 22). A quantos ainda não receberam o sacramento da Confirmação, dirijo o cordial convite a preparar-se para o acolher, pedindo ajuda aos seus sacerdotes. O Senhor oferece-vos uma especial ocasião de graça: não a deixeis fugir!
Aqui, gostaria de acrescentar uma palavra sobre a Eucaristia. Para crescer na vida cristã, é necessário alimentar-se do Corpo e Sangue de Cristo: com efeito, somos baptizados e confirmados em vista da Eucaristia (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1322; Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, 17). “Fonte e ápice” da vida eclesial, a Eucaristia é um “Pentecostes perpétuo”, porque cada vez que celebramos a Santa Missa recebemos o Espírito Santo que nos une mais profundamente a Cristo e nele nos transforma. Queridos jovens, se participardes frequentemente na Celebração eucarística, se consagrardes um pouco do vosso tempo à adoração do Santíssimo Sacramento, da Fonte do amor, que é a Eucaristia, haveis de receber aquela alegre determinação de dedicar a vida ao seguimento do Evangelho. Experimentareis, ao mesmo tempo, que quando as nossas forças não são suficientes, é o Espírito Santo que nos transforma, que nos cumula com a sua força e nos torna testemunhas repletas do ardor missionário de Cristo ressuscitado.

7. A necessidade e a urgência da missão
Muitos jovens reflectem sobre a sua vida com apreensão e formulam muitas interrogações acerca do seu futuro. Preocupados, eles perguntam-se: como inserir-se num mundo assinalado por numerosas e graves injustiças e sofrimentos? Como reagir ao egoísmo e à violência, que por vezes parecem prevalecer? Como dar pleno sentido à vida? Como contribuir para que os frutos do Espírito, que recordámos acima, “caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança” (ponto n. 6), inundem este mundo ferido e frágil, antes de tudo o mundo dos jovens? Com que condições o Espírito vivificador da primeira criação, e sobretudo da segunda criação ou redenção, pode tornar-se a nova alma da humanidade? Não esqueçamos que quanto maior é o dom de Deus e o do Espírito de Jesus é o máximo tanto maior é a necessidade que o mundo tem de o receber e, portanto, tanto maior e mais apaixonante é a missão da Igreja de dar testemunho credível do mesmo. E vós jovens, com a Jornada Mundial da Juventude, de certo modo testemunhais a vontade de participar em tal missão.
Caros amigos, a este propósito quero recordar-vos aqui algumas verdades de referência sobre as quais meditar. Mais uma vez, repito-vos que somente Cristo pode satisfazer as aspirações mais íntimas do coração do homem; só Ele é capaz de humanizar a humanidade e conduzi-la à sua “divinização”. Com o poder do seu Espírito, Ele infunde em nós a caridade divina, que nos torna capazes de amar o próximo e de nos pormos com disponibilidade ao seu serviço. Revelando Cristo crucificado e ressuscitado, o Espírito Santo ilumina, indica-nos a vida para nos tornarmos mais semelhantes a Ele, ou seja, para sermos “expressão e instrumento do amor que dele dimana” (Encíclica Deus caritas est, 33). E quem se deixa guiar pelo Espírito, compreende que pôr-se ao serviço do Evangelho não é uma opção facultativa, porque sente como é urgente transmitir esta Boa Nova também aos outros. Todavia, é necessário voltar a recordá-lo, só podemos ser testemunhas de Cristo se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, que é “o agente principal da evangelização” (cf. Evangelii nuntiandi, 75) e “o protagonista da missão” (cf. Redemptoris missio, 21).
Dilectos jovens, como reiteraram várias vezes os meus venerados Predecessores Paulo VI e João Paulo II, anunciar o Evangelho e dar testemunho da fé é hoje mais necessário do que nunca (cf. Redemptoris missio, 1). Alguns pensam que apresentar o tesouro precioso da fé às pessoas que não a compartilham significa ser intolerante para com elas, mas não é assim, porque propor Cristo não significa impô-lo (cf. Evangelii nuntiandi, 80). De resto, há dois mil anos doze Apóstolos deram a vida para que Cristo fosse conhecido e amado. A partir de então, o Evangelho continua a difundir-se ao longo dos séculos, graças a homens e mulheres animados pelo seu próprio zelo missionário. Portanto, também hoje são necessários discípulos de Cristo que não poupem tempo nem energias para servir o Evangelho. São precisos jovens que deixem arder dentro de si o amor a Deus e respondam generosamente ao seu apelo urgente, como fizeram muitos jovens Beatos e Santos do passado e inclusive de épocas mais próximas a nós. Em particular, asseguro-vos que o Espírito de Jesus hoje vos convida, jovens, a serdes portadores da Boa Nova de Jesus aos vossos coetâneos. A indubitável dificuldade que os adultos têm de encontrar de maneira compreensível e convincente a classe juvenil pode ser um sinal com que o Espírito tenciona impelir-vos, jovens, a assumir esta responsabilidade. Vós conheceis os ideais, as linguagens e também as feridas, as expectativas e ao mesmo tempo o desejo de bem dos vossos coetâneos. Abre-se o vasto mundo dos afectos, do trabalho, da formação, da expectativa, do sofrimento juvenil… Cada um de vós tenha a coragem de prometer ao Espírito Santo que conduzirá um jovem para Jesus Cristo, do modo como melhor considerar, sabendo “responder com doçura a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança” (cf. 1 Pd 3, 15).
Mas para alcançar esta finalidade, queridos amigos, sede santos, sede missionários, porque nunca se pode separar a santidade da missão (cf. Redemptoris missio, 90). Não tenhais medo de ser santos missionários, como São Francisco Xavier, que percorreu o Extremo Oriente para anunciar a Boa Nova até ao extremo das suas forças, ou como Santa Teresa do Menino Jesus, que foi missionária, contudo sem jamais ter deixado o Carmelo: ambos são “Padroeiros das Missões”. Estai prontos a pôr em jogo a vossa vida, para iluminar o mundo com a verdade de Cristo; para responder com amor ao ódio e ao desprezo pela vida; e para proclamar em todos os cantos da terra a esperança de Cristo ressuscitado.

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